Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de vinte e cinco anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados” e “Amor e Disciplina para criar filhos felizes”, todos títulos da CPAD.

Educando meninos

Me surpreendo sempre com uma nova geração de rapazes extremamente machista. Jovens que defendem que as suas futuras esposas não devam trabalhar, que mulheres precisam ficar em casa para cuidar dos filhos e da rotina doméstica, e que não aceitam como namoradas, as moças que querem estudar ou concluir o curso universitário. Outros acham que suas irmãs e mães existem para servi-los em casa, e que defendem que mulheres ao volante são um perigo constante!?

Quando encontro um rapaz com este discurso, sempre me pergunto: como é a mãe deste indivíduo? Por que a imagem feminina se tornou tão nula? Que mulher machista o educou? Sim, porque há também muitas mulheres machistas…

Educar meninos implica em forjar neles atitudes masculinas, que abrangem a  forma de se vestir, de andar, se comportar em sociedade e em família. Filhos homens podem ser sensíveis, podem chorar quando machucados ou irritados, e também precisam de afeto, atenção, abraços e beijos maternos e paternos. Devem ajudar nas tarefas da casa, podem aprender a cozinhar e ajudar as irmãs a organizarem as regras da casa, e devem aprender a conversar e expressar afeto. Princípios e práticas que incluem afeto e compromisso, bem como responsabilidade e respeito familiar, sempre serão importantes para a construção do indivíduo, seja ele homem ou mulher.

Portanto, mais uma vez, precisamos nos atentar para os extremos. De um lado temos assistido meninos com trejeitos femininos, muitas vezes copiando mães e irmãs a se maquiarem, a arrumarem o cabelo ou a andar rebolando. O que começa como uma simples imitação e, portanto fácil de ser moldado, pode se tornar um hábito, trazendo desdobramentos sexuais futuros. Educar meninos, na ótica bíblica, é forjar machos, homens responsáveis, e futuros pais e maridos de uma mulher.

Entretanto, educar meninos também implica, no outro extremo, a não formar homens machistas. Um homem deve tratar as mulheres com quem convive (irmãs, avós, mães, amigas) com gentileza e educação, entendendo que são iguais quanto a inteligência e competência e que devem ser respeitadas. Mesmo numa casa onde há maridos opressores e machistas, uma mulher precisa ensinar a seus filhos que este não é o modelo bíblico para homens, que afirma que: …vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações. (1 Pedro 3.7). Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja… (Efésios 5.28,29).

Um homem bem formado não precisa de uma namorada carente para humilhar. Um homem bem educado vai querer uma esposa com quem possa conversar, partilhando as visões de mundo e os planos futuros. Homens machistas e egoístas, formados muitas vezes por pais machistas e mães fracas que não impuseram respeito a seus filhos, procuram esposas frágeis emocionalmente, que aceitam desagravos e humilhações constantes, levando à morte da auto estima feminina e, portanto, a uma vida familiar desastrosa - fato que nenhuma mãe ou sogra gostaria.

Seja uma mãe forte e crie filhos homens, nem femininos e nem machistas. Precisamos de meninos másculos, que respeitem mães e pais, que admirem irmãos e irmãs, e que procurem, quando mais velhos, namoradas e esposas femininas e competentes, para trilharem juntos o belo caminho de uma nova família equilibrada e feliz.

elaineElaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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