Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de vinte e cinco anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados” e “Amor e Disciplina para criar filhos felizes”, todos títulos da CPAD.

Mulheres Rixosas 

Nós mulheres somos mais atentas a detalhes, e temos a habilidade de intuir e imaginar mais, o que nos ajuda a criarmos mais expectativas que, quando não concretizadas, nos trazem mais decepções e desagravos. Esperamos que nossos filhos arrumem seus quartos e lavem os copos, que os maridos sempre agradeçam nosso esforço em cozinhar bem, e que a casa permaneça bem arrumada o restante do dia retratando todos os nossos esforços e dedicação ao lar.

Já inicio me defendendo, afirmando que sei que é grande o número de homens rixosos. Mas como este site é prioritariamente feminino, o título deste artigo se destina nós, mulheres. Infelizmente, somos em maior número que os homens, e como geralmente falamos mais, nossa tendência é reclamar mais.

Creio que vocês, assim como eu, também não gostam de ler os versos seguintes:  Melhor é viver no deserto do que com uma mulher briguenta e amargurada. (Provérbios 21.19);  Melhor é viver num canto sob o telhado do que repartir a casa com uma mulher rixosa. (Provérbios 21.9); A esposa briguenta é como o gotejar constante num dia chuvoso. (Provérbios 27.15); O filho tolo é a ruína de seu pai, e a esposa rixosa é como uma goteira constante. (Provérbios 19.13).

Estes provérbios bíblicos afirmam que é difícil conviver com mulheres rixosas, isto é, reclamonas ou briguentas. É melhor morar em um deserto, ou num canto de uma casa simples, do que ser casado com uma delas. E a  goteira constante já foi muito usada como tortura em épocas de guerra, levando uma pessoa a quase enlouquecer, pois depois de algumas horas o barulho fica ensurdecedor no cérebro,  demonstrando o martírio que é conviver com alguém rixoso.

Muitas de nós precisamos repensar nossas reclamações. Brigamos por algo realmente sério ou só pelo hábito? Não podemos fazer vista grossa para as bagunças de vez em quando? Será que precisamos esperar muito e nos decepcionar tanto? Quantas vezes as reclamações produzem mal estar e irritação em momentos de comunhão familiar? Será que não estamos repetindo o que já dissemos anteriormente? Agir não seria melhor do que falar? Agradecer e elogiar pessoas quando acertassem, não renderia mais afeto e comunhão? Acertar as emoções antes para usar um tom de voz firme e isento de raiva não causaria mais efeito?  Mansidão e domínio próprio não implicariam em uma qualidade de vida pessoal e familiar melhor?

Há mulheres que reclamam por tudo, fazem chantagem emocional com seus filhos, afastam maridos carinhosos do leito conjugal, e cansam suas amigas com mal humor. Muitas são as que sempre procuram motivos para brigar, reclamar e apontar tudo o que dá errado, deixando de usufruir das coisas que estão dando certo. Não enxergam as bênçãos já recebidas, pois seus olhos estão voltados para as decepções. As noras não as chamam para jantares íntimos, e as sogras e cunhadas as evitam nas reuniões familiares. Na igreja, a despeito de serem talentosas, muitas vezes são substituídas nos cargos e eventos por outras com menos talentos, mas com mais habilidade social e maturidade emocional. 

Nossa vida sempre vai sobrepor momentos bons e ruins, vales e montes, calor e tempestades. E sempre teremos motivos para reclamar: do nosso corpo, de conjugues, de filhos, de pessoas, de eventos, de vizinhos, de parentela e de colegas de trabalho. Mas podemos escolher engolir as afrontas, esperar a ira se apaziguar, demandar menos dos outros, ressaltar os pontos positivos, nos adaptarmos ao que temos e podemos ficar em silêncio e falar mais com Deus. 

elaineElaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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