Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de vinte e cinco anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados” e “Amor e Disciplina para criar filhos felizes”, todos títulos da CPAD.

Casas amargas

Há cômodos em nossa casa interior que devem ser evitados. Nossas memórias guardam muitos momentos tristes, doloridos, que nos fazem chorar e destroem a nossa alegria. São fatos da infância, desilusões com pessoas, feridas abertas por pessoas que amávamos.

Todos temos motivos para lamentar a vida. Já fomos feridos, roubados e caluniados. Sabemos o quanto a inveja pode doer, e a traição pode nos fazer sangrar. Tivemos dias em que não queríamos levantar da cama de tanta tristeza, ou que evitamos encarar pessoas porque só conseguíamos  chorar.

Algumas pessoas gostam de passear pelas suas casas internas e revisitar antigos quartos de dor. Todos os dias tomam café da manhã se lembrando de pessoas que partiram seus corações. As refeições se tornam amargas, pois remoem palavras que as machucaram.  Na parte da tarde deixam o pensamento vagar para lembranças que tornam suas noites frias e insones.

Fixar na dor é um movimento humano natural. Na verdade, quando somos machucados por alguém, temos que fazer um grande esforço para que a ferida não se espalhe a ponto de macular nossas outras relações de afeto. Nossa tendência é sempre generalizar e pensar: "ninguém presta", "não vale a pena confiar nas pessoas”, ou  "não acredito mais no amor!"

Na nossa vida alguns cômodos devem ser limpos, mas mantidos fechados. Afinal, por mais que soframos, temos novos dias, novos aposentos, novas esperanças e possibilidades. Nossa família nos espera, nosso conjugue nos aguarda, Deus nos acalenta em seus braços. Temos trabalho a fazer, tarefas domésticas a cumprir, uma vida profissional pra tocar, e cuidados pessoais importantes para assegurar nossa auto estima.

Ainda podemos contar com pessoas confiáveis, amorosas, alegres, parceiras e amigas - por mais que estas sejam poucas. As pessoas não são iguais, algumas não repetem seus erros ou falhas alheias, e muitas também estão procurando amigos sinceros como nós. Depois de uma decepção, uma  nova amizade pode surgir aos poucos. Mesmo ao sofrer a dor de um adultério por seu conjugue, um novo amor pode brotar - e quem sabe pelo mesmo esposo(a)? O sol vai continuar nascendo, e a graça de Deus nos dará forças para mais um dia.

No mundo tereis aflições. Conhecemos esta frase dita por Jesus, mas quando o luto bate à porta, quando a ferida esta aberta e dói, por vezes nos esquecemos do restante das palavras de Jesus: Tenham bom ânimo! (João 16.33).

Anime-se e recomece. Use a chave da sua razão e decida fechar alguns cômodos da sua memória. Se for preciso, apague sua rede social para não ter mais notícias, apague fotos do seu celular, ou guarde alguns porta retratos em um baú por um tempo. Mas, acima de tudo, decida não revisitar fatos, lembrar das dores, dos desafetos, das calúnias. Feche as feridas.

Ter bom ânimo implica em buscar motivação pra continuar. Encontre este ânimo em sua família, em seu casamento, no seu ministério e em Deus. Não deixe que as agruras da vida amarguem sua casa interior. Abra as janelas, deixe o sol da justiça entrar, pegue uma caneca de chocolate quente e aproveite a paz que não está circunscrita às situações difíceis da vida.

elaineElaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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