Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados” e “Amor e Disciplina para criar filhos felizes”, todos títulos da CPAD.

O verão das nossas vidas

Se pudéssemos definir as estações do ano da nossa vida, o verão seria a nossa infância, a primavera a nossa juventude, o outono a vida adulta (a estação mais longa), e o inverno seria nossa velhice.

Verão lembra sol e calor. Está associado às férias, aos anos em que nossa preocupação era brincar, ajudar em casa com as tarefas domésticas, estudar e, nas horas restantes do dia, voltar a brincar: de casinha, de bonecas, com carrinhos, de pega-pega, de pique-esconde, de amarelinha ou de roda.

Quem na infância não se deitou na grama para definir o formato das nuvens? Ou não se imaginou num cenário diferente de onde estava, como em um castelo ou num jardim cheio de flores? Ou não brincou de pregar para as bonecas (para aquelas meninas que foram criadas em igrejas evangélicas)?

Por definição, a infância deveria ser um momento ensolarado e feliz. Uma fase em que as preocupações estivessem ausentes, onde a família fosse um recôndito seguro, com pais e irmãos afetuosos e confiáveis. Mas, infelizmente, muitas pessoas não tiveram uma boa infância.

Muitos são os que foram criados em lares problemáticos, com mães ausentes, pais irresponsáveis e avós abusadores. Outros desde cedo conviveram com adultos alcoolizados, irmãos viciados em drogas e pais violentos e agressivos. Para estes, o verão foi chuvoso e frio, com raros raios de sol a iluminar um ou outro momento da infância. Resta-lhes hoje, já adultos e dirigentes de suas escolhas, optarem por afastar a neblina, perdoando e seguindo em frente, buscando dias ensolarados em sua vida pessoal e profissional. Isto é possível, especialmente quando temos Deus!

Independente de como vivemos nossos verões, hoje convivemos com infantes, sejam filhos ou netos, que todos os dias esperam o sol nascer. Crianças têm sonhos, uma imaginação fértil, e esperam abraços, afetos e cuidados. São frágeis, geram expectativas, e se frustram quando são negligenciadas.

Há muitas crianças vivendo uma infância ensolarada. Mas muitas crianças estão sendo pressionadas em extremo em seus estudos, ou absorvendo problemas dos pais como se fossem pequenos psicólogos. O número de crianças com depressão tem aumentado vertiginosamente, e muitas falam da vontade de morrer e algumas até têm tentado suicídio.

Eventualmente surgem páginas na internet ensinando crianças pequenas a se enforcarem, ressaltando que a vida não vale a pena ser vivida. Nossas crianças têm absorvido conceitos negativistas sobre vida, família e sexo, tanto nas redes sociais ou livros escolares, quanto em desenhos animados e programas televisivos. A inocência característica da infância tem sido perdida, e a alegria tem se esvaído.

Se você tem filhos pequenos e netos na família, comece a fazer diferença. Reforce valores e conceitos bíblicos, obrigue-os a ir à igreja, faça cultos domésticos, ensine a Bíblia e cante louvores com eles. E, o que é tão importante quanto, demonstre seu afeto, não só no cuidado físico, mas também evidenciando seu amor em palavras e atos carinhosos. Brinque, faça guerras de travesseiros, se divirtam juntos olhando as nuvens e identificando seus formatos.

Seus infantes precisam aproveitar o verão, guardando boas lembranças, e estabelecendo as bases afetivas para encararem os vários dias chuvosos e frios da vida.  Abra a janela e deixe o sol raiar no seu lar.

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Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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