Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

A cultura suicida

Segundo a Organização Mundial de Saúde, temos no mundo um suicídio a cerca de cada vinte segundos. No mundo todo, a taxa geral de mortes por suicídio é de 13 pessoas para cada 100 mil, mas em países pobres esta taxa pode atingir 17,3 pessoas para cada 100 mil. O Brasil é o oitavo país com mais suicídios no mundo em números absolutos.

Infelizmente, estima-se que, para cada pessoa que comete suicídio, existem muitos dados de morte não contabilizados ou registrados de forma diversa, e pelo menos outras vinte pessoas que tentaram tirar suas vidas, mas não conseguiram consumar o ato.

A Organização Mundial da Saúde escolheu o dia 10 de setembro como o dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, de modo a conscientizar pessoas e governos sobre a importância do tratamento de doenças mentais e problemas psicológicos. Apesar de a maioria dos suicidas pertencer à faixa etária acima dos 70 anos, é na faixa de 15 a 29 que os números mais impressionam, figurando como a segunda maior causa de mortes.

São muitas as causas que levam uma pessoa a acabar com a própria vida. As mais divulgadas são problemas como depressão, abuso de drogas e situações temporais que despertam forte carga emocional, como o fim de um relacionamento amoroso ou a perda de um emprego. Mas nós sabemos, como evangélicos, que a incidência da sugestão maligna para que as pessoas se suicidem é muito grande. 

Nossa sociedade vive uma cultura suicida em ordem galopante. Clipes e músicas direcionadas para adolescentes mostram artistas ícones com pulsos cortados, se mutilando e/ou se afogando em banheiras cheias de sangue, ou simulando a morte, muitas vezes apresentada como a solução final e decisiva para o término da dor emocional. 

Já na época da peça shakespeariana de Romeu e Julieta, encenada há mais de quatrocentos anos, que mostra uma paixão romântica em que os dois protagonistas se suicidam “por amor”, muitos jovens se suicidaram sob a influência do “morrer por amor”. Hoje, a mídia divulga filmes, clipes e músicas incentivando a morte prematura, a inconseqüência das drogas e a adrenalina de viver perigosamente. Vários sites ensinam crianças a se enforcar, adolescentes a cortarem suas veias, e pessoas de todas as idades a consumirem drogas e a misturarem várias delas, provocando overdoses irreversíveis.

Os dias atuais estão cada vez mais estressantes, gerando um alto número de doenças emocionais e mentais, que infelizmente não estão sendo tratadas como deveriam, com a combinação de terapias e medicamentos prescritos por médicos e profissionais de saúde. E cada vez mais vemos indivíduos que frequentam igrejas evangélicas, muitos como pastores, suas famílias e membros, que estão engrossando os números de suicídios pelo mundo. 

Face a tantas mazelas, o suicídio vem sendo apresentado como uma saída honrosa, uma mentira satânica de que podemos terminar com tudo, de que a vida não vale a pena, de que não precisamos valorizar ou prestar conta do que fazemos com a nossa vida pra ninguém, e muito menos para Deus. Assim sendo, a grande maioria dos atos suicidas são conscientes, fruto da assimilação destes e outros motivos, influenciados por sugestões malignas. Na minha prática profissional, atendendo pessoas que sobreviveram a alguma tentativas suicidas, é comum ouvir relatos de pacientes que ouviam "uma voz dizendo para eu me jogar", ou uma "voz na cabeça me dizia pra acabar com minha vida!"

O homicídio é pecado, já aparece na Bíblia no episódio de Caim e Abel, e o suicídio nada mais é do que o homicídio praticado contra si mesmo. Mesmo entendendo a complexidade mental e a dor emocional pulsante do ato suicida, precisamos acordar para o fato de que o suicida sempre avisa sobre seus planos, muda seus hábitos em casa, e altera seu padrão social, tornando-se arredio e solitário, ou popular em redes e sites de relacionamento com discursos anti-bíblicos, que pregam  contra a vida relacional e espiritual saudável. 

Podemos e devemos fazer diferença em nossos lares, parentela e dentro de nossas igrejas. É muito triste assistir pastores, filhos de pastores e esposas de pastores tirando suas vidas, cientes de que estão perdendo a salvação. Muitos buscam ajuda internamente, mas a cultura de que crente não toma remédio para a mente impossibilita muitos de superarem uma doença tratável, como a depressão, por exemplo, e ganharem o céu. 

Se puder, seja um agente de saúde emocional e evangélica dentro da sua casa e da sua igreja. Olhe as pessoas nos olhos, converse com seu cônjuge, ouça as dores dos seus irmãos e filhos, e direcione-os para uma ajuda profissional com psicólogos, psiquiatras, neurologistas e outros especialistas que podem contribuir para cura da alma, do corpo e da mente. Fazendo assim, estaremos evitando que muitos percam a tão preciosa salvação em Jesus.

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Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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