Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

A Fragilidade da Vida

É sempre impressionante segurar um recém nascido nos braços. O corpo pequeno, delicado e frágil me faz refletir no poder deste Deus criador e detalhista, que comanda e coordena tudo com tanta delicadeza e precisão. É emocionante observar os dedos pequenos, as unhas tão bem desenhadas, o olhar perdido que vai se tornando curioso, o sono relaxado acompanhado de sorrisos e barulhos diferenciados. 

Observar um bebê também me faz analisar o quanto somos frágeis e indefesos. Uma criança nasce, com traços peculiares e uma vontade enorme de brigar contra o sono e os horários impostos. Alguns meses se passam e ela já faz chantagem para ser segurada no colo, e escolhe os sabores dos sucos e papinhas que mais gosta. Alguns meses a mais, e ela se senta sem apoio, engatinha e tenta dar os primeiros passos – agora a diversão é tirar as roupas das gavetas, mexer nas coisas que alcança e tirar a roupa que seus pais colocaram nelas! 

Crescemos, nos tornamos adolescentes e jovens, e mesmo nestas fases de primavera e tão cheias de perspectivas, muitos são os que adoecem, se tornam adictos, abraçam filosofias cada vez mais irracionais como viva muita e morra rápido, e são levados pela frivolidade de vícios e amigos, mostrando qual frágil pode ser a linha tênue entre nossas escolhas. 

A vida adulta nos enche de responsabilidades, cobranças e estresse, e passamos anos nos preocupando de tarefas repetitivas. São muitos os que sucumbem à fragilidade dos relacionamentos e sentimentos, que somatizam emoções negativas, e que adoecem precocemente o corpo e a alma. 

Na velhice, quando nossos órgãos também se enfraquecem e voltam a ser delicados, necessitando de cuidados e exames criteriosos e constantes, voltamos a pensar na fragilidade do tempo que passa tão rápido, e vai levando pessoas que amamos, deixando lembranças que aquecem um coração que já bate mais devagar e fragilizado.

Nestes dias em que vivemos a pandemia provocada pelo coronavírus, mais uma vez percebemos qual frágil somos, quão rápida é a vida, e como devemos agradecer pelo que temos e aproveitar as oportunidades de estar com as pessoas que amamos. Muitos pais, irmãos, pastores e amigos estão sucumbindo ao vírus, e necessitamos repensar nossos valores face à esta vida tão fragilizada.  

A vida é frágil, assim como as pessoas, os afetos, os sonhos, as escolhas, a saúde, as amizades, os amores humanos, os projetos de vida. E é por este motivo que devemos nos lembrar constantemente que quem nos criou é o mesmo que nos conhece, a ponto de poder manter nossa racionalidade e sobriedade ao longo desta delicada vida terrena, enquanto nos preparamos para a vida eterna. Deus é o único que, de fato, pode nos ajudar a manter a paz e contentamento em meio a tanta fragilidade: 

Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude, antes que venham os dias difíceis e antes que se aproximem os anos em que você dirá: “Não tenho satisfação neles”; antes que se escureçam o sol e a luz, a lua e as estrelas, e as nuvens voltem depois da chuva; quando os guardas da casa tremerem e os homens fortes caminharem encurvados, e pararem os moedores por serem poucos, e aqueles que olham pelas janelas enxergarem embaçado; quando as portas da rua forem fechadas e diminuir o som da moagem; quando o barulho das aves o fizer despertar, mas o som de todas as canções lhe parecer fraco; quando você tiver medo de altura, e dos perigos das ruas; quando florir a amendoeira, o gafanhoto for um peso e o desejo já não se despertar. Então o homem se vai para o seu lar eterno, e os pranteadores já vagueiam pelas ruas.

Sim, lembre-se dele, antes que se rompa o cordão de prata, ou se quebre a taça de ouro; antes que o cântaro se despedace junto à fonte, a roda se quebre junto ao poço, o pó volte à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o deu. (Eclesiastes 12.1-7)

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Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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