Judite Maria da Silva Alves

Professora e terapeuta familiar; casada com o Pr.Ailton José Alves (presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco); mãe de três filhos (casados), e avó de quatro netos. Apresenta diariamente, há mais de dez anos, o programa “A mulher e seus desafios” pela Rede Brasil de Comunicação. Lidera o trabalho de Círculo de Oração em todo o estado de Pernambuco e coordena as atividades sociais da IEADPE, que mantém oito Centros de Desenvolvimento Integral Vida em várias comunidades carentes na Região Metropolitana do Recife, onde são atendidas mais de 4 mil crianças.

A ira

A ira é um sentimento extremamente comum, mas muito abafado, principalmente entre as mulheres. Tradicionalmente, fomos ensinadas a expressar nossas emoções explosivas, como a raiva, de forma indireta. E então desenvolvemos uma maneira bem diferente dos homens para “explodir” nossos rancores internos. Há pelo menos três maneiras em que a ira pode acontecer: ela pode vir pela ofensa, pela inveja e também pelo sentimento de que fomos injustiçados.

A ira é uma emoção que aciona os mecanismos de defesa do nosso organismo sempre que é experimentada. Esses mecanismos são conhecidos como mecanismos de “fugir ou lutar”. Várias mudanças bioquímicas atuam: a adrenalina estimula o coração, eleva a tensão arterial, relaxa certos músculos e contrai outros. O sangue “ferve” dentro de nós, suamos, e em segundos ficamos atentos a tudo ao nosso redor. Tudo isso acontece de forma involuntária, diante de uma afronta pessoal ou coletiva, sempre que envolve algo que nos toca. Depois da afronta ou da situação que nos foi posta, vem a reação. Essa reação já não será involuntária: podemos escolher como daremos a resposta à agressão ou àquilo que afetou nossos sentimentos. É precisamente aqui que entendemos o que disse Paulo aos Efésios 4.26: “Irai-vos e não pequeis”.

Irar-se, muitas vezes, não é pecado, mas a questão é que a ira nos põe num lugar de perigo. Caim, depois de ter o seu “sacrifício” rejeitado, experimentou uma decepção e uma inveja do seu irmão Abel, cujo sacrifício havia sido aceito pelo Senhor. Esses sentimentos ficaram remoendo em Caim, até que a ira invadiu seu coração. Deus alertou Caim: “Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”(Gn 4.6,7). A ira nos faz “decair” o semblante. Dar lugar à ira é deixar-se dominar pelo desejo de vingança que a ira produz em nós.Embora descarregar a raiva possa proporcionar uma calma temporária, não reduz a raiva a longo prazo. Expressar raiva pode, na verdade, provocar ainda mais raiva. Para algumas mulheres, as reações à ira são mais evidentes, mas, para outras mais calmas, a reação à ira pode vir camuflada e ser igualmente letal para suas relações. Para estas mulheres, a ira pode vir na forma de comentários críticos ou em ressentimentos ocultos, mas, quando confrontada, ela faz questão de proclamar sua própria inocência. Há mulheres que passam o dia esmagando o espírito do esposo, ou dos pais, ou dos colegas de trabalho, até chegar a um ponto insuportável da relação. Algumas mulheres usam a procrastinação, ou seja, adiam ou atrasam suas responsabilidades para com aquele que a ofendeu. Outras mulheres se utilizam de pequenas desobediências para comunicar sua decepção. Há outras formas de esconder a raiva, como fazer-se de esquecida. Essa atitude deixa o outro na dúvida a respeito dele mesmo. E pode até se sentir responsável, quando, na verdade, foi provocado intencionalmente. Bagunçar a vida do outro, fazer uma compra não combinada, pegar o dinheiro da carteira deixando o outro sem nada, usar de sarcasmo são maneiras “leves” de demonstrar a ira. Duas mensagens são dadas ao mesmo tempo – um elogio e uma ofensa (por exemplo, como quando alguém diz: “Você está tão magra que não a reconheci!”).

Essas são formas sutis de extravasar a ira, mas não resolvem o problema, apenas adiam para um momento pior. Mesmo que os outros não percebam sua astúcia, Deus, cujos olhos penetram no mais íntimo do nosso ser, vê e nos julga baseado nas intenções do nosso coração. A Bíblia diz que colheremos o que semearmos: “Quem semeia vento, segará tormenta, não haverá seara, a erva não dará farinha; se a der, tragá-la-ão os estrangeiros” (Os 8.7).

Nos casos em que não se estabelece esse diálogo aberto, as emoções negativas tendem a crescer gerando outros problemas, maiores e piores. Em alguns casos, pode destruir completamente o relacionamento. Lembre-se do conselho: “Não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4.26). Antes que o dia se acabe, chame para uma conversa e seja franca, sem ofender. Fale dos seus sentimentos, de como você está triste. Deixe a acusação de fora; ataque o problema, e não a pessoa. Abandone o pronome “você” da conversa, e use o “eu”. Quando abrimos o coração, fica mais fácil sermos compreendidas.

O que é mais difícil nos dias de hoje é que cada vez mais somos incentivadas a ter um espírito vingativo. O mundo parece conspirar contra toda sensatez e espírito manso e tranquilo tão desejáveis às mulheres que fazem profissão de servir a Deus (1Pe 3.4; 1Tm 2.10). Mas podemos escolher não pecar, não “manchar as nossas mãos” com a ira, impedindo que a maldade more na nossa casa. As pessoas que se iram, mas não pecam, experimentam, após a repressão da emoção, as sensações ruins indo embora e, depois dessa resistência, experimentam um sentimento de vitória sobre si mesmas, que é ainda maior que qualquer vitória que tenham temporariamente contra as pessoas que as irritaram.

Lembre-se sempre de não semear na carne, porque dela só ceifará a corrupção. Semeie no Espírito, porque dEle ceifará a vida eterna. “E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gl 6.7-9).

Deus nos abençoe em Cristo.

 Judite Alves

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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