Valquíria Salinas

Valquíria Salinas é cristã evangélica, com vasta formação na Psicologia e áreas correlatas. Faz um sólido trabalho de aconselhamento e apoio ao lado de seu marido e pastor. Traz para o público evangélico, de forma clara e simples, temas e abordagens do aspecto psicológico do ser humano e sua relação espiritual com Deus, tudo de forma clara, simples e direta. Seja para adolescentes e jovens, para mulheres, casais ou família, no templo, no acampamento ou em empresas, a Psicóloga Valquíria Salinas fala sem achismos. Tem experiência de 16 anos de atendimento diário em seu consultório de psicologia, atuou em 2 Hospitais Psiquiátricos e foi voluntária no SOS - para recuperação de drogados e alcoólatras – durante 5 anos. Está à frente do Culto Regional de Mulheres, que reúne cerca de 3 mil mulheres mensalmente, na Assembleia de Deus na cidade de Sorocaba-SP.

 

O Poder do Perdão – Parte A

Assim como eu, você também já ouviu muito sobre Perdão. Quero compartilhar com você, nessa série em dois textos, o ponto de vista prático, e como existe uma confusão entre o discurso de perdão e o perdão em verdadeiro.

O Fantasma da Traição

Incontáveis vezes recebo mulheres, tanto no consultório como na igreja, que me relataram haverem “superado” um término, mas ainda se sentem afetadas com o passado, gerando assim um sentimento auto destrutivo dentro delas. Apesar de possuírem um discurso lindo de perdão, em alguns casos elas não perdoam verdadeiramente, vivendo assim com um “fantasma” em suas vidas, ou seja, vivem com o peso de sempre pensar no que ocorreu de negativo no passado.
A sociedade, mesmo que de forma indireta nos ensina que a vingaça é uma prática positiva, chegando a incentivá-la. Isso se traduz em frases como: “chumbo trocado não dói”, “olho por olho, dente por dente”, “Isso não vai ficar assim”, “Agora vai comer na minha mão”etc. Isso é  comum no cotidiano da nossa cultura.

Estudo de Caso

Conheci uma mulher que, ao descobriu que seu marido mantinha contato com outra mulher no ambiente virtual passou a se vingar de seu marido fazendo o mesmo que ele, ou seja, relacionar-se com outros homens no ambiente virtual. Esse cenário começou a se agravar a ponto dessa esposa ter encontros físicos, de maneira recorrente, com outros homens, culminando no adultério. Após o ocorrido ela descobriu que a mulher com que seu marido mantinha contato era uma parente dele e que ele não havia feito nada de errado, ao perceber seu erro, ela tentou recuperar seu casamento, mas já era tarde demais.
O pior veneno que pode existir é a vingança, pois ela não faz mal apenas para o outro, ela destrói tudo e todos, inclusive você.
O real perdão é capaz de salvar sua amizade, seu filho, seu casamento ou sua família.

O Falso Perdão

Comumente pessoas dentro da igreja dizem ter “liberado o perdão”. Em certos casos isso ocorreu de maneira plena e, por consequência, o indivíduo deixa de sofrer com aquilo. Existem muitos casos em que o perdão verdadeiro não ocorre e um mar de ressentimentos e mágoas se apodera da pessoa ainda ferida. Esse acúmulo interior vem a prejudicá-la intensamente.
Engana-se quem acha que pelo fato de não ficar brigando ou expressando sua raiva, o perdão ocorreu. O perdão só ocorre quando é liberado verdadeiramente, e apesar da pessoa se lembrar do ocorrido (esquecer não é o remédio), ela não sente mais dor.
Perdão não é mudança no falar ou agir, antes, a mudança que começa de dentro para fora e muda até o falar e agir.

O Não perdão Somatiza-se no Corpo

É importante entender que você não escolhe os seus sentimentos. Você pode acabar sentindo dor, raiva e incomodo, porém varrer todos esses sentimentos para debaixo do tapete vai adoecê-la, não é uma atitude saudável. Doenças psicossomáticas, ataques de pânico, agravamento de problemas cardíacos, ansiedade, depressão etc., são doenças que têm se tornado cada vez mais comuns, e um dos fatores potencializadores delas nos indivíduos é o excesso de ressentimentos guardados e a falta da liberação real do perdão.Equivocadamente muitas pessas pensam que ao perdoar, você necessariamente precisa voltar a conviver com a pessoa que lhe fez o mal. Essa ideia é equivocada. É normal uma pessoa ferida sentir dor, o processo de perdão por vezes é lento e ocorre enquanto você aprende através do contato com essa dor, a se libertar dela.
O perdão, quando liberado, só traz consequências positivas para quem o dá. 

A Bíblia e o Perdão

O Erro consciente

Para que a vítima possa perdoar, a palavra de Deus nos traz alguns direcionamentos: Lucas 17.3 “Se o teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe”. Essa é uma situação em que o perdoar se dá de forma mais tranquila, quando a pessoa que errou, ao ser confrontada, pede perdão e se arrepende.  Exemplo bíblico é o caso em que Davi, já rei, ao ser confrontado pelo profeta Natã, reconheceu o seu erro e foi perdoado.

O Erro inconsciente

Outra situação é aquela em que a pessoa fez algo ruim para você, mas ela não percebeu. Nesse caso é importante que você vá até ela e diga que você se ofendeu, deixando claro o que isso lhe causou, afinal esse possívelmente será o caminho para o perdão e para a cura da ferida. Mateus 18.15 “Se o teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele, só”. Aqui trata-se de uma situação pessoal, sem terceiros. É mais comum vermos esse tipo de resolução quando há um estranhamento entre amigas.

Quando o Ofensor Não se Arrepende

A Bíblia mostra em muitas passagens a necessidade de que a pessoa ofendida perdoe os seus devedores, retire as ofensas etc. A palavra está mostrando a necessidade do reconhecimento da dívida, antes do perdão.
Algumas pessoas no momento de aconselhar outras, tendem a forçar que o outro perdoe seu “agressor” de forma incondicional,  o que tem produzido muito mais prejuízos do que benefícios, isso se dá pois a pessoa atendida questiona: “Como perdoar alguém que não se arrependeu?” O que a Bíblia nos mostra na verdade é: Efésios 4.32 “Antes, sede uns para com os outros benignos misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”.
Segundo o Teólogo Paul Wells, nós recebemos o perdão de Cristo quando nos reconhecemos como pecadores, confessando diante de Deus e nos arrependendo dos nossos erros.
Uma das coisas mais difíceis para a vítima é quando ofensor não reconhece a sua culpa ou até mesmo tenta minimizá-la, chegando até a querer culpar a vítima pelo seu ato, gerando mais raiva e dor naquele que já sofre. Nessas ocasiões a vítima necessita de um acompanhamento psicológico, pois torna-se dificílimo perdoar espontaneamente alguém que não se arrepende. Os casos em que isso ocorre tendem a ser mais extremos e sérios, como em abusos sexuais, assédio, estupro, relações incestuosas, violência doméstica etc. Quando isso ocorre, além da necessidade de buscar ajuda profissional, faz-se importante que a vítima busque ter a certeza da verdadeira justiça de Deus. Nesses casos é problemático querer exigir que a vítima libere o perdão. É muito fácil dizer o que o outro tem que fazer, é necessário ter empatia pelo próximo e questionar: “como seria se fosse comigo?”.
Nestes casos a entrega plena do ofensor nas mãos de Deus, sabendo que Deus é amor e justiça, e que nada escapa de seu olhar passa a ser não apenas o melhor caminho psíquico, mas mostra a fé e confiança genuína que a vítima tem no Deus que tudo sabe, pode e faz. 

Um Beijo em todas vocês! A Paz do Senhor!

valquiria

Valquíria Salinas 


*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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