“Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo”. I Tessalonicenses 5:18
Vivemos em uma época marcada pela exposição constante. Redes sociais, mídia e padrões idealizados de sucesso fazem parecer que a vida do outro é sempre melhor, mais organizada, mais próspera e mais feliz. Diante disso, muitas mulheres cristãs acabam olhando para o “jardim alheio” e sentindo que o seu próprio terreno é seco, pequeno ou sem valor.
A Bíblia já nos alertava sobre o perigo da comparação muito antes da era digital. O décimo mandamento diz: “Não cobiçarás” (Êxodo 20:17). A cobiça nasce justamente quando acreditamos que o que o outro tem é melhor do que aquilo que Deus nos concedeu. O coração que se deixa dominar por esse sentimento perde a paz e a gratidão.
Em Gálatas 6:4 lemos: “Mas prove cada um a sua própria obra, e terá glória só em si mesmo, e não noutro.” O apóstolo Paulo nos ensina que nossa referência não deve ser a vida do outro, mas o propósito que Deus estabeleceu para nós. Cada mulher tem uma história única, dons específicos e desafios personalizados pelo Senhor para seu crescimento.
A comparação é perigosa porque distorce a realidade. Vemos apenas o palco, não os bastidores. Ana, por exemplo, foi comparada e humilhada por Penina por não ter filhos (1 Samuel 1). Aos olhos humanos, Penina parecia mais “abençoada”. Porém, Deus tinha um plano singular para Ana, e dela nasceu Samuel, profeta que marcou a história de Israel. O que parecia desvantagem era, na verdade, o cenário de um milagre.
Na psicologia, compreendemos que a comparação constante pode gerar sentimentos de inferioridade, ansiedade e baixa autoestima. A chamada “comparação social” leva a interpretações distorcidas da realidade, pois filtramos apenas o que parece perfeito na vida alheia. A mídia reforça padrões irreais de beleza, sucesso profissional, maternidade impecável e desempenho espiritual exemplar. Muitas mulheres passam a se cobrar excessivamente, sentindo-se insuficientes em seus múltiplos papéis: esposa, mãe, profissional, serva do Senhor na igreja.
Entretanto, a Palavra de Deus nos convida ao contentamento: “Aprendi a contentar-me com o que tenho” (Filipenses 4:11).
Contentamento não é acomodação, mas confiança de que Deus está conduzindo nossa história. Há tempo de plantar e tempo de colher (Eclesiastes 3:1). Não podemos colher frutos que ainda não plantamos, nem desprezar as pequenas sementes que já estão brotando em nosso jardim.
Quando olhamos apenas para a grama do vizinho, deixamos de cuidar da nossa. Cada jardim exige preparo do solo, rega constante, poda e paciência. Deus não compara Suas filhas; Ele as ama individualmente. O Salmo 139:14 declara: “Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável.” Somos obra única do Criador.
Ser autêntica é aceitar os propósitos divinos para a própria vida. Talvez seu chamado não seja igual ao da outra mulher, sua trajetória profissional não siga o mesmo ritmo, sua família enfrente desafios diferentes. Ainda assim, Deus continua escrevendo sua história com perfeição.
Quando a comparação bater à porta, escolha a gratidão. Quando a pressão social tentar sufocar sua identidade, volte-se para a Palavra de Deus. Mantenha a tranquilidade interior que nasce da confiança em Deus. A verdadeira beleza não está na grama mais verde do outro, mas no coração que floresce onde foi plantado pelo Senhor.
Cuide do seu jardim. Plante com fé. Regue com oração. E confie: no tempo certo, ele florescerá.
Até a próxima,
Grande abraço.

Sonia Pires
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