Historicamente, a piedade cristã feminina foi associada à negação do corpo. O resultado foi uma teologia do descuido. O cuidado pessoal virou pecado, e a negligência com a aparência virou santidade. Contudo, as Escrituras dizem que o corpo é templo, a vida é dádiva divina e o cuidado próprio é mordomia cristã.
Neste artigo apresento o conceito de que amar a si mesma, cuidando da saúde física, da aparência e da autoestima, não é egoísmo e nem mundanismo, mas ato litúrgico de gratidão a Deus. O autocuidado quando é fundamentado em Cristo, deixa de ser idolatria do eu e torna-se gratidão e adoração.
O corpo como templo do Espírito Santo
O gnosticismo do século II d.C. chamava o corpo de "prisão". Essa herança contaminou parte da igreja e o sofrimento estético virou marca de espiritualidade. Enquanto a Bíblia ensina: “não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo? [...] Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo" (1Co 6.19-20).
Aqui a expressão “santuário" equivale a lugar santíssimo. Portanto, nosso corpo não é palco da vaidade, mas altar de adoração. Assim sendo, cuidar da saúde física é também uma responsabilidade espiritual: “faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma" (3Jo 1.2).
Desse modo, dormir o necessário, hidratar o corpo, fazer exame preventivo e exercício não é vaidade. Cuidar do cabelo, da pele e da vestimenta comunica dignidade. Comer mal, viver exausta e rejeitar o descanso equivale a adoecer o corpo que Deus nos deu. Essa negligência é como pecado de omissão.
A mordomia da saúde: cuidar de si é cuidar do templo
Dados da OMS de 2024, demostram que 72% das mulheres brasileiras relatam exaustão crônica. A chamada “síndrome de Marta" virou epidemia na vida da mulher moderna. A conduta de Marta não foi reprovada pelo serviço que ela fazia, Jesus a reprovou por seu excesso de atividades.
Nosso corpo, o tempo, a energia e a saúde emocional são talentos que nos foram entregues por Deus. Enterrá-los por excesso de trabalho ou descuido é comportamento reprovado pelo nosso Senhor. O descanso é um mandamento e não um luxo. São obediência e mordomia, e não ociosidade ou preguiça.
Exercitar-se de modo equilibrado, repousar e nutrir-se bem é teologia prática. A doença que pode ser evitada rouba tempo de serviço ao Reino. Saúde mental retrata confiança em Deus: “não andeis ansiosos [...] e a paz de Deus [...] guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.6-7).
Autoestima redimida e restaurada
A Pesquisa Dove de 2023, constatou que oito em cada dez mulheres deixam de participar de atividades importantes em suas vidas quando não se sentem bem com sua aparência. A Bíblia ensina que aqueles que “se avaliam e se comparam uns com os outras, demonstram falta de juízo” (2Co 10.12)
A raiz bíblica da baixa autoestima é deixar de se ver como imago Dei (imagem de Deus) e passar a se ver com a imagem que o mundo secularizado determina. A solução para isso não é o mantra de autoajuda "ame-se", mas sobretudo gratidão a Deus.
A motivação de nossa autoestima deve ser para honrar a Deus, e não pela busca da aprovação humana. De outro lado, a mulher que se odeia não consegue servir; ela sangra por dentro e sua postura fere a vida dos outros. Mas uma mulher curada transborda de autoestima e de sentimentos de amor.
Em suma, a mulher que se ama, também se cuida, alimenta-se, exercita-se, veste-se com dignidade e mantém sua autoestima elevada. Esta mulher não está sendo vaidosa e nem cometendo pecado. Ela está dizendo: "Obrigada, Pai, pela dádiva da vida. Recebo Teu presente com responsabilidade e alegria".
Assim, quando a mulher cuida de si mesma, ela preserva sua saúde física, mental, emocional e espiritual. Lembre-se: nosso corpo é templo, nossa saúde é mordomia e nossa autoestima é adoração. Diga diariamente para você mesma: “Cuido de mim porque pertenço a Cristo e Ele merece meu melhor”.
Queridas, Deus vos abençoe, até mais!

Dirlei Baptista
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