Muitos são os que enfrentam grande dificuldade para dizer “não”. São pessoas que aceitam solicitações, assumem responsabilidades e cedem a pressões mesmo quando isso lhes causa desgaste emocional, espiritual ou físico.
Uma avaliação rápida pode adjetivar uma pessoa que não diz não como gentil ou prestativa. Para alguns pode parecer apenas um traço de personalidade, ou a busca de uma prática de humildade e amor. Porém, a dificuldade em dizer não pode apontar questões mais profundas e complexas, revelando pessoas carentes emocionalmente, com baixa autoestima e muita insegurança.
Muitos têm dificuldade em negar pedidos pelo fato de desejarem agradar às pessoas. Sabemos que todos nós, naturalmente, buscamos aceitação e reconhecimento. Contudo, quando a necessidade de satisfazer expectativas alheias se torna dominante, podemos agradar a pessoas mais do que a Deus, e ainda nos tornamos dependentes da validação e valoração alheia.
Paulo escreveu: “Porventura procuro eu agora o favor dos homens ou o de Deus?” (Gálatas 1:10). Ele sabia que, por mais que tenhamos que cultivar hospitalidade e serviço ao próximo, agradar a Deus é nossa prioridade. Quem vive para agradar os outros, inevitavelmente, vai perder sua sobriedade espiritual, vai desagradar a Deus, e acabará em desacordo consigo mesmo.
Muitos são os que sempre concordam com tudo, que nunca se opõem ou dizem não, pois têm medo de rejeição ou conflito. Eles se apavoram em pensar que o outro possa ficar magoado e se afastar emocionalmente. Se esquecem de que a verdade e a integridade são mais importantes que a aprovação humana. Afinal, Deus valoriza clareza, sinceridade e firmeza nas decisões, como Jesus nos ensinou: “Seja o vosso ‘sim’, sim; e o vosso ‘não’, não.” (Mateus 5:37).
Por mais que amemos nossos filhos e cônjuges, que sejamos bons amigos e irmãos em Cristo, precisamos colocar limites saudáveis em nossos relacionamentos. A Bíblia nos ensina a amar e servir ao próximo, mas nunca a ponto de negligenciar nossa responsabilidade diante de Deus.
Os amigos que não aceitam ser contrariados não são amigos reais. Cônjuges precisam aprender a ceder e dialogar quando um não for a resposta certa. E até mesmo os filhos precisam ouvir e obedecer o não de seus pais para os respeitarem mais tarde. Não nos esqueçamos do que a Bíblia fala sobre Adonias, o filho ingrato, que traiu e tomou o trono do seu pai Davi: “O seu pai nunca o havia contrariado, perguntando: ‘Por que você age assim?’” (1Reis 1:6). Sim! As consequências de não saber dizer “não” podem ser sérias, pois a condescendência de hoje pode gerar conflitos futuros.
Deus nos diz não quando pedimos o que não lhe agrada. Ele não vai deixar de ser santo ou de exigir santidade para nos agradar. De forma semelhante, muitas vezes teremos que dizer não a colegas de trabalho que nos convidam para um “happy hour”, ou para parentes que nos convidam para eventos marcados em horas de culto, ou ainda para filhos e/ou cônjuges descrentes que sugerem práticas errôneas ou pecaminosas.
Aprenda, portanto, a dizer não. Todos temos limites, e pessoas que aceitam tudo acabam assumindo mais do que conseguem cumprir, o que gera estresse, frustração e até ressentimento. Lembre-se: “É melhor um punhado com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho e aflição de espírito.” (Eclesiastes 5.6).
Quando vivemos para atender todas as expectativas dos outros, podemos errar quanto às prioridades espirituais, deixando de lado aquilo que Deus realmente nos confiou. Até porque atividades e compromissos assumidos por pressão não podem ocupar o lugar da comunhão com Deus, da família e da vontade divina particular para as nossas vidas.
Não se torne falso, agindo de forma diferente do que realmente pensa ou sente, só para ser aceito pelos outros, para ser tido como bonzinho, ou para manter as aparências. Falar “não” quando necessário não é falta de amor, mas um sinal de maturidade emocional e espiritual. Dizer “não” pode ser, paradoxalmente, uma forma de dizer “sim” à vontade soberana de Deus - o único a quem devemos sempre dizer Sim!

Elaine Cruz
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