Sempre gostei da técnica inglesa chamada, em inglês, de smocking, que surgiu na Europa entre os séculos XVIII e XIX. É uma técnica de bordar sobre um tecido franzido, em linhas elásticas ou pontos manuais, que em português é chamada de “casinha de abelha”, pois o efeito visual lembra pequenos losangos ou colmeias.
Quando eu era criança, e quando minha filha era criança, os vestidos e blusas com esta técnica faziam muito sucesso. É um trabalho que valoriza a roupa, com o bordado geralmente colocado na área do busto, cintura ou mangas, deixando a peça com um visual romântico e clássico, e extremamente feminina.
Infelizmente, tem sido cada vez mais raro observar técnicas mais delicadas e femininas, como as “casinhas de abelhas”, em roupas infantis clássicas ou em vestidos ou blusas femininas. Temos observado, cada vez mais, uma ausência de roupas e atitudes mais femininas, como um reflexo mais profundo de perda de identidade espiritual e do alinhamento com os princípios divinos.
É claro que a Bíblia não descreve técnicas de costura ou bordados a serem utilizados pelas mulheres. A proposta bíblica não é impor padrões culturais, mas restaurar o valor da essência, onde a aparência e o comportamento são expressões naturais de um coração transformado. Mas, sem dúvida alguma, precisamos recompor e resguardar a feminilidade bíblica.
Ser mulher e feminina, sob a ótica bíblica, não é sinônimo de fragilidade ou submissão cega, mas de força com sensibilidade, com sabedoria e beleza que glorificam a Deus. Afinal, a mulher pode e deve se vestir de forma feminina, sem excluir a dignidade, a inteligência, a firmeza, o bom caráter e a capacidade de amar e se relacionar com os outros.
Como mulher, mãe, psicóloga e pastora, fico triste em observar a questão da ausência de roupas e atitudes consideradas mais femininas na sociedade contemporânea. Mais do que se tratar apenas de aparência externa, a descaracterização do feminino visa desvalorizar a identidade e a expressão diferenciada de homem e mulher estabelecida por Deus.
É bom lembrar que, desde a criação, a Bíblia apresenta homem e mulher como distintos, não apenas biologicamente, mas em aspectos comportamentais e identitários. Deus orienta a respeito de vestes diferentes para homens e mulheres (Deuteronômio 22:5), e convoca as mulheres a refletirem uma postura que reflita reverência, equilíbrio e identidade espiritual (1 Pedro 3.4,5).
A mulher sábia de Provérbios 31 apresenta virtudes que vão além da aparência: ela é forte, sábia, trabalhadora e temente a Deus. Sua beleza não está apenas no exterior, mas no caráter, e ela se veste de forma feminina e elegante, com linho fino e púrpura. É uma mulher graciosa, feminina, nobre e digna, que reflete a beleza, a sabedoria e a graça que vêm de Deus - como todas nós devemos ser. Assim, com ou sem “casinhas de abelhas”, que nossas filhas e netas sejam sempre ensinadas a se vestirem e comportarem de forma feminina, expressando no trato e no caráter a beleza interior que ressalta a identidade feminina doada por Deus.
Face a tantas discussões sobre misoginia, feminicídio e androgenia, que consigamos, como família e Igreja, voltar à Bíblia e aprender a valorizar a graça do ser feminino!

Elaine Cruz
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