“E Abraão tomou outra mulher; e o seu nome era Quetura.” (Gênesis 25:1)
A Bíblia menciona Quetura de forma breve, mas significativa. Após a morte de Sara, a mulher que lhe deu o filho da promessa, Abraão se casa novamente. Surge então Quetura, cujo nome, na etimologia hebraica, significa “perfume aromático” ou “incenso”. Mesmo com poucas linhas registradas sobre sua vida, há lições profundas que podemos extrair dessa mulher.
Ser a segunda esposa de Abraão certamente não foi uma posição simples. Sara havia sido sua companheira por longos anos, participante ativa das promessas divinas e mãe de Isaque, o filho da promessa. Sara era lembrada com honra. O peso da comparação poderia facilmente gerar insegurança, ciúme ou amargura. No entanto, não encontramos nas Escrituras qualquer indício de rivalidade ou conflito envolvendo Quetura.
Ao contrário, o texto bíblico registra que ela deu a Abraão seis filhos (Gn 25:2). Ela participou da continuidade da descendência do patriarca e cumpriu seu papel com dignidade. A ausência de registros negativos sobre seu comportamento fala alto. Muitas vezes, o silêncio bíblico revela equilíbrio e maturidade.
Quetura nos ensina que não precisamos ocupar o “primeiro lugar” na história de alguém para termos valor. Cada mulher tem seu tempo, sua missão e seu espaço determinado por Deus. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1). Quetura entrou na história de Abraão em uma nova estação de vida, e foi instrumento de continuidade e bênção.
O significado de seu nome nos inspira profundamente. Incenso, na Bíblia, está associado à adoração e à oração que sobe a Deus como aroma agradável (Salmos 141:2). O perfume não anuncia sua presença com alarde, mas se espalha silenciosamente, transformando o ambiente. Assim parece ter sido Quetura: uma presença serena, sem disputas, sem necessidade de protagonismo.
Para nós, mulheres cristãs, essa é uma lição preciosa. Vivemos em uma cultura de comparações constantes. Redes sociais, expectativas familiares e cobranças internas podem nos levar a competir, a nos sentir insuficientes ou “segundas” em alguma área da vida. Contudo, nossa identidade não está na posição que ocupamos, mas no chamado que recebemos do Senhor.
O apóstolo Paulo nos lembra: “Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo” (2 Coríntios 2:15). Que expressão poderosa! Somos chamadas a exalar o perfume de Cristo onde estivermos — no casamento, na maternidade, na vida profissional, no ministério ou no serviço silencioso do dia a dia.
Quetura talvez não tenha sido a esposa da promessa, mas foi parte do plano de Deus. Não foi a primeira, mas foi relevante. Não foi a mais citada, mas deixou descendência. Sua vida nos ensina que não precisamos viver à sombra de ninguém. Podemos florescer mesmo em terrenos já marcados por grandes histórias.Que aprendamos com Quetura a viver sem amargura, sem complexos, sem disputas.
Que sejamos mulheres que exalam o perfume suave da graça, da maturidade e da confiança em Deus. Que nossa presença leve paz, e que nossa história, ainda que breve aos olhos humanos, seja aroma agradável diante do Senhor.
Que sejamos, em qualquer estação da vida, o “perfume aromático” que honra a Deus.
Até a próxima,
Grande abraço.

Sonia Pires
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