Eu acho muito interessante a ideia de túneis. Eles cortam caminhos, pois evitam acidentes geográficos, reduzindo o tempo do percurso na estrada, e ainda suportam montanhas altíssimas, rios e até mares por cima deles.
Há túneis impressionantes! Já atravessei algumas vezes o Eurotúnel, com 50 Km de extensão, que liga a França ao Reino Unido, por baixo do mar, na altura do Canal da Mancha, cuja travessia de trem dura 35 minutos. Há o túnel de base de Gotthard, na Suíça, que atravessa os Alpes, com 57 Km de extensão; o túnel Seikan do Japão, com 54 km, que liga as ilhas Honshu e Hokkaido; o túnel Laerdak, na Noruega, projetado com áreas iluminadas em azul e dourado para reduzir o cansaço psicológico dos motoristas; e o túnel Lincoln, o mais famoso, que conecta Nova York a Nova Jersey sob o Rio Hudson.
A respeito da modernidade destes túneis citados, a Bíblia nos apresenta o túnel construído há cerca de 2.700 anos pelo rei Ezequias, visando proteger o abastecimento de água de Jerusalém diante de invasões inimigas, citado em 2 Reis 20.20, e que pode ser visitado ainda hoje. Assim como a chamada cidade de Davi, que possui vários corredores subterrâneos, com canais e passagens escavadas na rocha usados para defesa e acesso à água, e que lembram túneis militares e rotas secretas.
Atravessar túneis, ferroviários e/ou rodoviários, fazem parte do cotidiano de muitos de nós. Há aqueles que os encaram com tranquilidade, mas há pessoas que se sentem sufocadas, inseguras pelo fato da luz natural desaparecer. Além disso, especialmente em túneis com os quais não estamos familiarizados, é desconfortável não sabermos o que nos espera adiante.
A verdade é que, na nossa vida, nós só enxergamos o trecho imediato da estrada. Frequentemente nos encontramos em túneis, que se apresentam como períodos de ansiedade, solidão, dor crônica, silêncio, depressão ou tristeza profunda, perdas, enfermidades, crises familiares ou caminhos que parecem longos e escuros demais. E raramente sabemos quando vamos sair deles.
Túneis fazem parte das nossas vivências. O rei Davi encarou por anos o túnel da perseguição severa, José atravessou o túnel da rejeição, Ana vivenciou a escuridão da infertilidade, e Jó atravessou o doloroso túnel da perda e da dor!
Uma vez em túneis, assim como aconteceu com tantos personagens bíblicos, não conseguimos entender completamente o que Deus planeja como desfecho. Mas uma coisa é certa: só Deus sabe perfeitamente o começo, o meio e o fim de todas as coisas: “Eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro como eu. Desde o início, faço conhecido o fim; desde tempos remotos, o que ainda virá. Eu digo: ‘O meu propósito permanecerá em pé, e farei tudo o que me agrada’.”(Isaías 46:9-10).
Sim! Ainda que não conheçamos o momento do fim da nossa luta ou da nossa dor, Deus já contempla a saída iluminada. Para nós há sempre o sentimento da demora, mas a curva inesperada que nos assombra está debaixo do controle e da soberania de Deus!
Nem sempre veremos a saída, ou teremos respostas imediatas. Quando perdemos o controle, e temos a luminosidade do nosso caminho reduzida, precisamos confiar não naquilo que vemos, mas manter a fé no Deus que cremos. Se ele é Senhor da nossa vida, precisamos encarar os limites e propósitos em tudo o que ele nos permite vivenciar.
Só Deus é capaz de transformar os túneis mais escuros em instrumentos de crescimento, amadurecimento e testemunho. Assim sendo, não precisamos temer as curvas que nos aguardam. Afinal, Deus conhece o final da estrada.
Só Deus sabe onde cada lágrima desembocará, quando nossa oração será respondida, e em que momento haveremos de ver a luz do fim do túnel. E lembre-se: o túnel não é morada permanente; é apenas uma passagem.

Elaine Cruz
*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).