Não há nada mais complexo para uma relação, seja ela conjugal, familiar ou de amizade, do que abrir os baús antigos, guardados no sótão da alma, e remoer feridas, dores e acusações antigas já tratadas.
Há pessoas que, a cada nova situação, fazem questão de trazer mágoas do passado, voltando a erros e falhas que já foram pautas de discussões anteriores - mesmo que estas já tenham sido perdoadas.
Nossa memória, infelizmente, não consegue apagar fatos e sentimentos. Uma vez magoados ou feridos, ou quando machucamos e magoamos outros, podemos perdoar, pedir perdão, reconciliar e fazer acordos coerentes. Contudo, ainda assim, se não travarmos nossa mente, a cada situação posterior que gere emoções semelhantes, nossa memória vai nos fazer revisitar as lembranças dolorosas.
Erros, falhas e acontecimentos vergonhosos do passado precisam permanecer no passado. No máximo podem ser usados como referência para não serem repetidos ou permitidos no presente.
Mesmo mantendo a lembrança dos mesmos, eles não podem governar nosso presente, e nem impedir nossa maturidade emocional ou espiritual no futuro.
Revirar baús impedem nossas feridas de serem curadas. Apontar repetidamente erros antigos constrói traumas desnecessários. Ficar remoendo mágoas não nos deixa avançar rumo a relacionamentos sadios.
Não devemos remover a casca de feridas já cicatrizadas, pois só vamos acrescentar mais uma camada de dor e ressentimento aos machucados. Ao invés disto, precisamos decidir seguir em frente, sem ficar rebocando questões dolorosas: “O que encobre a transgressão busca a amizade, mas o que renova a questão separa os maiores amigos.” (Provérbios 17.9).
Sempre penso o que seria de todos nós, se Deus resolvesse nos olhar a partir dos erros e pecados passados. Por graça, Deus declara: “Porque lhes perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jr 31:34). Deus é onisciente, conhece todos os nossos erros e acertos novos e velhos, mas nos perdoou - e quem somos nós para não perdoar e decidir rememorar pecados passados?
Seguindo o exemplo de Deus, Paulo nos exorta: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão diante de mim” (Fp 3:13). Mesmo que a memória se lembre, que as recordações surjam, ou que as lembranças retornem carregadas de dores, precisamos decidir não ceder a tentação de remexer nos baús.
Sempre haverá pessoas com quem nos relacionamos que sustentam uma coleção de erros, acumulados ao longo dos anos. Mas nossas emoções não devem provocar em nós a atitude de “jogar na cara” das pessoas seus erros antigos!
Não alimente continuamente as mesmas feridas.
Não fique remoendo falas que tanto magoaram.
Não se agarre a fatos passados que fizeram você sangrar.
Muitas situações só se resolvem com diálogo, com um sério aconselhamento, com arrependimento, confissão e renovação de votos e atitudes concretas. Afinal, não devemos fingir que afetos foram arranhados, ou que feridas foram abertas. Contudo, uma vez tratadas, deixe-as se curarem com o tempo e a ajuda divina.
Feche seus baús.
Não se torne refém de lembranças dolorosas.
Não fique preso na armadilha de memórias aflitivas.
Resolva as questões presentes com objetividade, sem trincar ainda mais relacionamentos que são preciosos na sua vida!

Elaine Cruz
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