Quando abrimos o primeiro capítulo do Evangelho de Mateus, encontramos uma lista de nomes que, à primeira vista, parece apenas um registro histórico. Mas, para quem olha com atenção, aquela genealogia revela algo profundo sobre o coração de Deus. Entre os muitos homens citados, ali estão também quatro mulheres — Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba — antes mesmo de chegarmos a Maria.
Mulheres improváveis, marcadas por dores, injustiças e recomeços, mas que Deus escolheu para fazer parte da linhagem que traria Jesus ao mundo.
Cada uma delas carrega uma história que, aos olhos humanos, talvez fosse melhor ser esquecida. Mas Deus não esconde histórias; Ele redime. E é essa redenção que ilumina o propósito do Natal.
Tamar enfrentou abandono e injustiça familiar. Ainda assim, sua coragem a colocou no caminho da restauração. Raabe era estrangeira e carregava um passado marcado por escolhas difíceis, mas sua fé transformou sua história e a da sua família. Rute, uma mulher viúva e imigrante, encontrou propósito novamente ao escolher permanecer fiel à sogra e ao Deus de Israel. Bate-Seba, envolvida em um episódio de relacionamento ilícito e dor profunda, foi restaurada e se tornou mãe de Salomão, um dos grandes reis da história bíblica.
Nada nelas é aleatório. Nada é desperdiçado. Deus as colocou ali para mostrar que Sua graça alcança lugares onde o mundo não olha, e que Ele ama transformar vidas quebradas em testemunhos de esperança. O Natal, portanto, não celebra apenas o nascimento de Jesus; celebra também a redenção que precedeu esse nascimento.
Essas mulheres nos lembram de que o propósito de Deus não depende de uma história perfeita, mas de um coração que se volta para Ele. Em cada uma delas encontramos ecos de muitas mulheres de hoje: aquelas que enfrentaram injustiça, as que carregam marcas emocionais, as que recomeçaram depois de perdas, as que precisaram de coragem para seguir adiante, as que lutaram silenciosamente para manter a fé viva. E Deus continua fazendo o que sempre fez: pega o que está ferido e transforma em algo cheio de vida.
O Natal nos chama a olhar para essas histórias com olhos renovados. Tamar nos lembra que Deus vê a injustiça. Raabe nos mostra que o passado não define o futuro. Rute ensina que a fidelidade abre portas que não imaginamos. Bate-Seba prova que Deus reescreve capítulos que pareciam arruinados. Maria, então, se torna o grande sinal de que Deus cumpre Sua promessa, usando mulheres para trazer ao mundo o Salvador.
Talvez você olhe para sua própria história e enxergue cicatrizes, perdas, capítulos difíceis ou trajetórias que não saíram como você planejou. A genealogia de Jesus te lembra: nada disso te desqualifica. Deus não se distancia das nossas dores; Ele inclui, transforma e faz novas todas as coisas.
Conclusão da Série — A Esperança Tem Nome
Ao longo destes quatro artigos, caminhamos juntas pela fé de Maria, pelo agir de Deus no caos, pela identidade que encontramos em Cristo e pelas histórias das mulheres que prepararam o caminho para o Natal. Todas elas apontam para uma verdade central: Jesus é a esperança que não falha. Ele veio para transformar histórias, renovar identidades e abrir caminhos onde não há saída.
Enquanto dezembro passa, talvez você ainda enfrente desafios, perguntas e expectativas. Mas lembre-se: a esperança não é um sentimento — é uma pessoa. Ele veio ao mundo e continua vindo ao encontro de cada mulher que O busca.
Neste Natal, que você não apenas celebre a luz — mas caminhe com Aquele que é a Luz.
Que você não apenas fale de esperança — mas viva com Aquele que é a própria Esperança.
Porque a esperança tem nome. E o nome dEle é Jesus.

Flavianne Vaz
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