Ao longo da história das Assembleias de Deus no Brasil, milhares de mulheres contribuíram silenciosamente para o crescimento da igreja por meio da oração, do ensino, da evangelização e do cuidado espiritual.
Muitas delas jamais tiveram seus nomes registrados em livros ou documentos históricos, mas deixaram marcas eternas na vida de famílias, igrejas e comunidades inteiras.
Entre essas mulheres está Albertina Bezerra Barreto, reconhecida como a fundadora do primeiro Círculo de Oração do Brasil — um movimento que transformou a espiritualidade pentecostal feminina e se tornou um dos maiores símbolos das Assembleias de Deus ao longo das décadas.
Quando a Dor se Transformou em Movimento de Fé
A história do Círculo de Oração começou em meio à dor e à aflição. No dia 6 de março de 1942, no bairro de Casa Amarela, em Recife, Pernambuco, Albertina Bezerra Barreto enfrentava um momento extremamente difícil: sua filha Zuleide, chamada carinhosamente de Ledinha, não andava nem falava, e os médicos haviam dado um diagnóstico desanimador, afirmando que a menina não viveria além dos oito anos de idade.
Diante daquele cenário, Albertina decidiu fazer aquilo que marcaria gerações de mulheres assembleianas: orar. Ela convidou sete irmãs da igreja — Cecita Colaço, Malphara Bezerra, Maria do Carmo, Antônia Viegas, Ana de Souza, Otávia Pessoa e Maria José — para se reunirem em intercessão pela cura da menina.
Durante aquelas reuniões, uma profecia trouxe esperança ao coração daquelas mulheres: “Essa enfermidade não é para morte, mas para glória do meu nome.” A resposta veio. Zuleide foi curada, passou a andar e falar, e viveu por 49 anos.
O que começou como um pequeno grupo de oração dentro de uma casa tornou-se um dos movimentos mais importantes da história pentecostal brasileira.
Inspirada por um folheto que comparava a oração a um círculo nos céus, Albertina deu ao movimento o nome de “Círculo de Oração”, recebendo apoio do pastor José Bezerra da Silva e de sua esposa, Malphara Bezerra.
O Legado das Mulheres Anônimas de Oração
Falar sobre o Círculo de Oração é também falar sobre milhares de mulheres anônimas que sustentaram igrejas inteiras de joelhos dobrados.
Durante décadas, enquanto muitos viam apenas reuniões simples de oração, aquelas mulheres intercediam por famílias, missionários, enfermos, jovens, crianças e pela expansão do Evangelho no Brasil.
Em inúmeros templos assembleianos, o Círculo de Oração tornou-se espaço de acolhimento, discipulado, evangelização e fortalecimento espiritual. Muitas mulheres encontraram ali não apenas comunhão, mas também propósito ministerial e crescimento na fé.
Boa parte da história espiritual das Assembleias de Deus foi construída por mulheres que talvez nunca tenham ocupado púlpitos ou cargos de destaque, mas que exerceram influência profunda por meio da oração e do serviço cristão.
O Valor das Mulheres na Edificação da Igreja
A participação feminina sempre foi fundamental no crescimento da igreja evangélica brasileira.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e pesquisas sobre religiosidade no Brasil, as mulheres representam a maioria do público evangélico brasileiro e estão entre as pessoas mais envolvidas nas atividades de oração, discipulado, assistência social e ensino cristão.
Em muitas igrejas, grande parte dos trabalhos da Escola Dominical infantil, visitas evangelísticas, ações sociais, discipulado feminino e ministérios de intercessão são conduzidos por mulheres.
Além disso, estudos sobre participação religiosa apontam que mulheres costumam apresentar maior frequência em atividades devocionais, reuniões de oração e envolvimento comunitário dentro das igrejas.
Esses dados apenas confirmam aquilo que a história das Assembleias de Deus testemunha há décadas: mulheres têm sido fundamentais na edificação espiritual da igreja e na expansão do Reino de Deus.
Um Movimento que Atravessou Gerações
O legado de Albertina Bezerra Barreto permanece vivo até hoje. O Círculo de Oração ultrapassou fronteiras, alcançou cidades pequenas e grandes centros urbanos, fortaleceu gerações de mulheres cristãs e tornou-se uma das marcas mais conhecidas da identidade assembleiana brasileira.
Mais do que reuniões semanais, o movimento ajudou a formar mulheres perseverantes, intercessoras, acolhedoras e comprometidas com o Reino de Deus.
Sua história prova que grandes transformações espirituais frequentemente começam em ambientes simples, através de pessoas comuns que decidem confiar plenamente em Deus.
Três lições que podemos aprendemos com a irmã Albertina:
1. A oração continua sendo uma força capaz de transformar histórias
O Círculo de Oração nasceu em meio a uma crise familiar. Albertina nos ensina que momentos difíceis podem se tornar oportunidades para experimentar o agir de Deus.
2. Mulheres têm papel indispensável na vida da igreja
A história das Assembleias de Deus mostra que mulheres sempre participaram ativamente da evangelização, do discipulado, do ensino e da intercessão. O Reino de Deus também é edificado através do serviço fiel delas.
3. Pequenos começos podem gerar grandes movimentos
Uma reunião simples dentro de uma casa tornou-se um movimento presente em milhares de igrejas. Deus continua usando pessoas simples para realizar obras extraordinárias.
Referência Bibliográfica
ARAUJO, Isael de. 100 mulheres que fizeram a história. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.
Com carinho e fé,
Caminhando ao seu lado em Cristo,

Flavianne Vaz
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