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Flavianne Vaz

Historiadora, Teóloga e Escritora. Pregadora e Palestrante na área de Família e Educação Cristã. Autora do Livro “Liderando Adolescentes” (CPAD) e de Revistas do Currículo de Escola Dominical da CPAD. Articulista do Jornal Mensageiro da Paz e da Revista Ensinador Cristão. Membro da Assembleia de Deus de Bonsucesso (RJ). Casada com Miguel Melo, mãe da Sarah e dos trigêmeos Guilherme, Fernando e Heitor.

 

Deus vê os fiéis

O livro de Rute, na minha opinião, é subestimado na cultura cristã evangélica em nosso país. Muitas pessoas o consideram apenas um romance, pois aborda o casamento entre Rute e Boaz. No entanto, essa é uma perspectiva superficial. 

Esse livro possui uma riqueza teológica impressionante, tratando de temas profundos como justiça, redenção, proteção das viúvas e restauração. Na cultura hebraica, o livro de Rute é lido, cantado e pregado durante a Festa das Semanas (Pentecostes), que ocorre 50 dias após a Páscoa. Isso por si só demonstra sua importância na tradição judaica.

Vamos refletir sobre o contexto histórico em que Rute e Noemi viveram. Elas pertenciam ao período dos juízes, uma época marcada por grande apostasia espiritual. O povo de Israel se corrompia, desobedecia aos mandamentos, desprezava a Lei e, frequentemente, sofria juízos de Deus por meio da opressão de nações inimigas. No entanto, sempre que se arrependia e voltava ao Senhor, Deus levantava um libertador para restaurar a autonomia do povo. Durante os momentos de obediência, havia paz.

Nesse cenário de caos político, moral e espiritual, a Bíblia destaca a família de Noemi como um exemplo de fidelidade a Deus. Isso é maravilhoso! Mesmo em meio à corrupção generalizada, Deus reconhece e valoriza os que permanecem fiéis. 

Conforme Juízes 21:25, naquela época, “cada um fazia o que era certo aos seus próprios olhos”. Sem um rei ou liderança forte, as pessoas seguiam apenas seus desejos e ignoravam a Palavra do Senhor. Diante desse contexto, a história de Rute e Noemi ganha ainda mais significado. 

Noemi e sua família haviam migrado para Moabe, uma terra idólatra. Mesmo assim, mantiveram sua fidelidade a Deus. Seus filhos casaram-se com mulheres moabitas, que, durante o casamento, abandonaram seus deuses para servir ao Senhor. Isso demonstra que essa família testemunhava a fé de maneira autêntica. Ainda assim, Noemi é uma mulher que experimentou grandes perdas: viu seu marido e seus dois filhos falecerem. Seu luto foi prolongado e doloroso, mas, mesmo assim, ela nunca se voltou contra Deus. Pelo contrário, reconhecia Sua soberania, afirmando que “a mão do Senhor” era responsável pelo que estava acontecendo em sua vida. Apesar da dor, ela permaneceu fiel.

Hoje, vivemos em uma sociedade onde os valores são facilmente negociados. Muitos abandonam sua integridade por vantagens profissionais, aventuras amorosas ilegítimas ou bens materiais. Noemi, por outro lado, nos ensina o poder da fidelidade inabalável. O Salmo 101:6 diz que Deus busca os fiéis da terra. Que Ele nos encontre nessa posição nesse tempo!

Outra personagem fundamental é Rute. Viúva e estrangeira, ela poderia ter voltado para sua terra, como fez sua cunhada Orfa. Noemi, inclusive, a aconselhou a retornar para sua família e seus deuses. Contudo, Rute tomou uma decisão radical: escolheu permanecer ao lado de sua sogra, abraçando a fé no Deus de Israel. Suas palavras são um marco de compromisso e submissão ao Senhor: “O teu povo será o meu povo, e o teu Deus, o meu Deus” (Rute 1:16).

Assim, Noemi e Rute retornam a Belém, a “Casa do Pão”, justamente no período da colheita. Elas estavam vulneráveis: viúvas, sem sustento ou proteção. Entretanto, a Lei mosaica garantia direitos para viúvas e estrangeiras. Rute começa a trabalhar nos campos de Boaz, um homem rico e influente, mas, acima de tudo, fiel a Deus. Mesmo sem pressão ou fiscalização, ele cumpre as leis do Senhor, demonstrando justiça e integridade.

Boaz decide ser o remidor da linhagem de Noemi, casando-se com Rute. Ele restaura não apenas as terras da família, mas também a esperança e a descendência. Deus honra a fidelidade dessas pessoas de forma extraordinária! Rute, antes uma viúva estrangeira, passa a fazer parte da linhagem real de Israel, tornando-se bisavó do rei Davi e, consequentemente, ancestral de Jesus Cristo.

O que aprendemos com essa história?   

1. Deus sempre tem um novo caminho para aqueles que esperam n'Ele.
2. A fidelidade é um valor precioso para o Senhor e será recompensada.
3. Mesmo quando tudo parece perdido, Deus está trabalhando na nossa redenção.

A história de Rute nos ensina a confiar, a perseverar e a esperar pelo agir do Senhor. Quando Deus procurar os fiéis da terra, que Ele nos encontre firmes na fé, aguardando Seu mover sobrenatural!

Um grande abraço!

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Flavianne Vaz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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