Todos nós convivemos com uma enorme gama de emoções. Sabemos distinguir as boas das más, as positivas das negativas, as que nos prejudicam ou nos apaziguam. O mais difícil, porém, é aprender a distinguir as nuances entre emoções e sentimentos parecidos.
No caso de sentimentos como tristeza, melancolia ou angústia, conseguimos identificar mais facilmente como a progressão se processa. Mas, infelizmente, no caso de ira, raiva, ódio e irritação, nem sempre é fácil identificar os diferentes níveis de intensidade emocional que as distingue.
Todos temos momentos em que nos irritamos com situações inusitadas, quando um incômodo ou contrariedade inesperada surge diante de uma situação. Quando somos fechados no trânsito, ou alguém arranha nosso carro de forma intencional, ou somos injustiçados no trabalho, por exemplo, podemos nos irritar. E nestes casos a irritação não implica em pecado: torna-se pecado quando nós respondemos com atitudes pecaminosas, como xingamentos ou agressão física.
Sobre irritação, a Bíblia nos adverte: “O amor… não se irrita facilmente.” (1 Coríntios 13.5); “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade." (Provérbios 16:32). Portanto, não se irrite com facilidade, aprendendo a dominar sua fala e a escalada da sua irritação - Não permita que ela se transforme em Ira!
A ira é o passo seguinte da irritação, quando a indignação fica mais visível e intensa. Do ponto de vista bíblico, podemos até nos “irar” contra o pecado e a injustiça: “Jesus, olhando para eles ao redor, indignado (irado) e condoído com a dureza dos seus corações…” (Marcos 3:5). Neste caso, como exemplo de uma ira justa, é óbvio que o sentimento é de indignação - como temos quando sabemos de um caso de abuso sexual, de roubo ou furto de algo que nos custou anos de trabalho.
Contudo, não nos esqueçamos de que não podemos perder o controle, agirmos motivados por motivos pecaminosos, ou alimentar a ira para além do tempo provável: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.” (Efésios 4:26). Dentro da família, especialmente na relação conjugal, um cônjuge não deve dormir irado, mas precisam fazer as pazes e pedir perdão antes do dia acabar. Já quanto aos filhos, a Bíblia é direta: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” (Efésios 6:4).
Quando o descontentamento ou a revolta não são tratados, a ira pode crescer e se transformar no que chamamos de furor ou cólera, como uma ira mais profunda, que chamamos de raiva. É por este motivo que a Bíblia nos alerta: “Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará mal.” Salmos 37:.8). Quem alimenta raiva, costuma destruir relacionamentos, pois a raiva geralmente se amplia para diversos segmentos - a pessoa começa a ter raiva de tudo e todos, desenvolvendo reclamações constantes que afastam os outros dela.
O amargor da raiva pode gerar, enfim, o ódio, que é o estágio mais profundo e perigoso, caracterizado por uma obsessão constante contra alguém. O ódio gera contendas, afasta amigos, adoece quem o alimenta, e é pecaminoso: “Qualquer que odeia seu irmão é assassino; e vós sabeis que nenhum assassino tem a vida eterna permanecendo nele.” (1 João 3:15); “Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão está até agora nas trevas.” (1 João 2:9).
Precisamos avaliar nossas emoções, controlar nossos sentimentos, avaliar a progressão irritação/ira/raiva/ódio, e retirar de nós e dos nossos relacionamentos “toda amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias (Efésios 4:31).
Trave suas emoções.
Trate seus sentimentos. Mantenha sua mente e coração, seus pensamentos e sentimentos, puros e faxinados.
“E o mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo." (1Tessalonicenses 5:23)

Elaine Cruz
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