Ao longo dos 115 anos das Assembleias de Deus no Brasil, mulheres exerceram papel decisivo não apenas na oração, evangelização e missões, mas também no ensino bíblico e na formação teológica da igreja.
Muito antes de o Brasil reconhecer plenamente o espaço feminino em ambientes acadêmicos, educacionais e de liderança, milhares de mulheres assembleianas já ensinavam nas Escolas Dominicais, discipulavam novos convertidos, preparavam materiais de estudo e ajudavam a formar gerações inteiras de cristãos.
Dentro desse legado de dedicação ao ensino destaca-se Ruth Doris Lemos, uma mulher que ajudou a construir um dos mais importantes centros de formação teológica das Assembleias de Deus no Brasil.
Sua história revela que o compromisso feminino com o ensino sempre esteve presente na trajetória pentecostal brasileira.
Uma Mulher à Frente do Seu Tempo
Nascida em Wisconsin, nos Estados Unidos, Ruth Doris Lemos possuía uma formação acadêmica impressionante para sua época.Ela graduou-se em música, pedagogia e teologia pelo Instituto Bíblico dos Grandes Lagos, em Illinois. Em um período histórico no qual grande parte das mulheres ainda encontrava limitações para acesso à educação superior, Ruth já se preparava intelectualmente para servir ao Reino de Deus. Em 1951, chegou ao Brasil ao lado de seu esposo, o pastor João Kolenda Lemos.
Inicialmente, o casal colaborou com a Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Mesmo enfrentando dificuldades com o idioma português, Ruth Doris envolveu-se na produção de literatura infantil e também participou do programa de rádio “Voz das Assembleias de Deus”, utilizando a música como instrumento de evangelização e ensino.
Mas sua contribuição mais marcante ainda estava por vir.
O Início da Formação Teológica Pentecostal
Em uma época em que muitos pentecostais ainda viam a educação teológica formal com certa desconfiança, Ruth Doris Lemos ajudou a construir um novo caminho para as Assembleias de Deus no Brasil.
Ao lado de João Kolenda Lemos, participou da fundação do Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, em Pindamonhangaba, São Paulo.
O IBAD tornou-se um dos mais importantes centros de formação ministerial do pentecostalismo brasileiro, preparando centenas de obreiros, missionários e professores que mais tarde serviriam em igrejas no Brasil e no exterior.
O que muitos não percebem é que uma mulher esteve diretamente envolvida nesse processo histórico.
Ruth Doris dedicou-se ao ensino, à formação espiritual e à preparação teológica de líderes em um tempo no qual a sociedade brasileira ainda limitava fortemente a atuação feminina em espaços de liderança e produção intelectual.
Mulheres Sempre Ensinaram nas Assembleias de Deus
A história de Ruth Doris Lemos também representa milhares de mulheres que ensinaram nas Assembleias de Deus ao longo das décadas.
Nas classes infantis, nas classes de discipulado, nos departamentos femininos e especialmente na Escola Dominical, mulheres ajudaram a formar gerações inteiras de crentes.
Até hoje, em muitas igrejas evangélicas brasileiras, a maior parte dos professores da Escola Bíblica Dominical é composta por mulheres. Elas ensinam crianças, adolescentes, jovens e adultos, transmitindo valores cristãos, fundamentos bíblicos e princípios espirituais.
Além disso, mulheres também têm desempenhado papel importante na produção de literatura cristã e na formação espiritual das famílias.
A trajetória das Assembleias de Deus mostra que a educação cristã sempre contou com mãos femininas comprometidas com o Reino de Deus.
Ensino Também é Ministério
A vida de Ruth Doris Lemos nos lembra que ensinar também é uma forma poderosa de ministério.
Enquanto muitos associam o serviço cristão apenas ao púlpito, Ruth dedicou sua vida à formação de pessoas, ao preparo de obreiros e ao fortalecimento doutrinário da igreja.
Seu legado continua vivo em cada professor de Escola Dominical, em cada obreiro preparado para servir e em cada cristão discipulado através do ensino bíblico.
Ela ajudou a mostrar que conhecimento bíblico, espiritualidade e missão podem caminhar juntos.
Três lições que aprendemos com a irmã Ruth:
1. O ensino transforma gerações
Ruth compreendeu que igrejas fortes precisam de fundamento bíblico sólido. Investir no ensino cristão é investir no futuro da igreja.
2. Mulheres também edificam a igreja através do conhecimento
Sua história mostra que Deus usa mulheres não apenas na oração e no cuidado, mas também na formação teológica, no discipulado e na educação cristã.
3. Preparação e espiritualidade devem caminhar juntas
Ruth uniu formação acadêmica, sensibilidade espiritual e dedicação missionária. Seu exemplo mostra que estudar e buscar capacitação também pode ser um ato de serviço ao Reino de Deus.
Ao longo desta série, revisitamos histórias de mulheres que ajudaram a construir os alicerces das Assembleias de Deus no Brasil.
Celina de Albuquerque nos lembrou da importância da busca pela presença de Deus.
Frida Vingren mostrou que coragem, liderança e dedicação podem romper barreiras culturais.
Albertina Bezerra Barreto revelou o poder da oração perseverante.
E Ruth Doris Lemos destacou o valor do ensino e da formação bíblica na expansão do Reino de Deus.
Mas esta história não pertence apenas às mulheres conhecidas. Ela também foi escrita por milhares de mulheres anônimas que ensinaram crianças nas salas da Escola Dominical, sustentaram famílias em oração, discipularam novos convertidos, evangelizaram bairros inteiros e serviram a Deus com fidelidade silenciosa.
Ao celebrar os 115 anos das Assembleias de Deus no Brasil, reconhecemos que mulheres tiveram — e continuam tendo — papel indispensável na edificação da igreja e na expansão do Evangelho.
Mais do que personagens da história, elas são testemunhas vivas de que Deus continua usando mulheres comprometidas, cheias de fé e dedicadas ao Reino.
Referência Bibliográfica
ARAUJO, Isael de. 100 mulheres que fizeram a história. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.
Com carinho e fé,
Caminhando ao seu lado em Cristo,

Flavianne Vaz
*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).
