Sempre que chegamos ao final do ano, as pessoas elegem um discurso de fraternidade, que está muito distante da vivência cotidiana dos últimos meses. A impressão é de que as pessoas competem, brigam, disputam e se afastam ao longo dos meses de janeiro a novembro, mas em Dezembro elas se transformam em pessoas educadas, que trocam presentes, distribuem sorrisos no elevador, e que desejam boas festas!
A verdade é que não há como ter boas festas se não cultivamos bons relacionamentos ao longo dos dias do ano que encerramos. Até porque não é a rabanada que adoça a vida, mas sim os abraços, elogios e sorrisos doces em afetos que distribuímos aos que amamos.
Na época de festas de Natal e banquetes de réveillon, onde ceias são celebradas com familiares e amigos, é importante relembrar o texto bíblico: “Melhor é um pedaço de pão seco com paz e tranquilidade do que uma casa onde há banquetes e muitas brigas.” (Provérbios 17:1 ).
Infelizmente, são muitos os que acordam tristes no dia 25 de Dezembro. A despeito da mesa farta e da abundância de alimentos, nem sempre a comunhão entre as pessoas supera a ostentação da ceia natalina. Muitos casais discutem por conta da programação familiar para o Natal, e reuniões que deveriam gerar afetos podem terminar em brigas e discussões.
Há um outro texto bíblico que também expressa a prioridade dos relacionamentos: “Melhor é um prato de hortaliças onde há amor, do que o boi cevado e, com ele, o ódio.” (Provérbios 15.7). E este não é um texto sobre alimentação, mas sim sobre conceitos e valores que precisamos desenvolver na vida relacional.
A fartura de pratos deliciosos não é mais importante do que a presença de amor e comunhão. O apóstolo Paulo, na sua carta aos coríntios, afirma que sem amor, mesmo os maiores dons e feitos espirituais perdem o valor. O amor transforma o simples em algo precioso, enquanto o ódio corrompe até o cardápio mais luxuoso. Assim sendo, uma mesa simples, mas marcada pelo amor, pela conversa sincera, pelo respeito e pela gratidão, torna-se um lugar de cura e comunhão.
Não deixe que sua casa se transforme em um espaço de tensão e desgaste emocional. Ao se reunir com seus familiares, não permita que sua mesa seja contaminada com ressentimentos, competições, discussões ou silêncios hostis. Casas bem mobiliadas, mesas fartas e festas elaboradas podem esconder relações frias, diálogos rompidos e corações feridos.
Se for preciso, coloque regras claras aos seus convidados, quanto a horários e divisões de tarefas. Pense nos detalhes dos cardápios e antecipe-se aos possíveis conflitos. Receba com alegria os que chamar para a sua casa, e se prepare, emocional e espiritualmente para receber e/ou visitar pessoas que ama. Abrace seus filhos, brinque com seus netos, abrace seus sogros e namore seu cônjuge.
Acima de tudo e todos, não exclua Deus das suas comemorações. Celebramos Jesus nas festas natalinas, e nos lembramos do imenso cuidado e amor de Deus na noite de réveillon. Sem Deus não poderíamos viver o ano que se encerra, e não haveria o que esperar para o ano que se apresenta. Não somos nada e não podemos nada sem Deus!
Para o próximo ano, desde o raiar do primeiro dia, não desvalorize o amor em nome da produtividade, do sucesso e do status. Busque menos luxo e invista em mais presença e afeto. Tenha menos pressa, e passe a escutar mais a sua família. Dispute menos e ame mais. Diminua seu tempo gasto em plataformas virtuais e ore mais!
Quando aprendemos a priorizar Deus, nossa família, nossa santidade, e a vontade de Deus em nossos relacionamentos pessoais e profissionais, valorizamos o que é essencial. E só então poderemos vivenciar Boas Festas!

Elaine Cruz
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