Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

Quando a familiaridade com a bênção gera ingratidão

Todos os dias nos banhamos, escovamos os dentes, fazemos nossa higiene pessoal, penteamos e escovamos os nossos cabelos, tomamos as nossas medicações, cuidamos da saúde, e nos alimentamos de forma saudável e equilibrada. 

Acordamos pela manhã. Fazemos as nossas tarefas matinais. Separamos tempo para o nosso devocional. Realizamos a organização de uma casa ou escritório. E ainda temos energia para muito mais ao longo do dia. 

Semana após semana nós saímos de casa, passamos o dia enfrentando condições e situações complexas, e voltamos seguros para o lar ao final do dia. Filhos e netos saem para o colégio ou universidade, fazem atividades recreativas, vão para cursos de música ou línguas, e voltam sorridentes pra casa ao final do dia. 

Aos domingos vamos à igreja, ofertamos nosso culto com alegria, cantamos e abraçamos os irmãos, ouvimos a Palavra, e nos desdobramos nas muitas atribuições e tarefas para servir à casa de Deus. 

Ao final do dia temos a oportunidade de passar a chave na porta da nossa casa, assistir nossos filhos dormindo em seus quartos, e abraçar o cônjuge à noite, aproveitando a serenidade e o silêncio do findar de mais um dia. 

Ao longo de semanas e meses, e até mesmo de anos, fazemos as coisas, empreendemos tarefas, organizamos a nossa rotina, e cuidamos de outros que amamos. Todos esses fatos, tão corriqueiros e familiares, nos parecem muito normais… até que um dia caímos doentes, e precisamos da ajuda de pessoas para nos alimentar, pra nos retirar da cama, pra nos dar remédios e comida na boca.

Há dias que saímos de casa e não voltamos. Ficamos presos em trânsito, temos que ficar internados em hospitais, e enfrentamos situações difíceis com pessoas que amamos. 

Há momentos na vida em que a família que conhecíamos não está mais completa. Perdemos pessoas que amamos, e filhos estão estudando fora, estão chegando mais tarde, se casaram, ou se mudaram para algum outro país.

A verdade é que, enquanto humanos, somos muito ingratos, pois geralmente só percebemos o real valor de algo quando já não o temos mais. Relacionamentos, oportunidades, tempo, saúde, comunhão com Deus e até pequenas dádivas do cotidiano costumam ser negligenciados enquanto estão ao nosso alcance.

Desde o princípio, Deus confiou ao ser humano bens preciosos. No Jardim do Éden, Adão e Eva desfrutavam de comunhão perfeita com o Criador, abundância, paz e propósito. Contudo, enquanto possuíam tudo isso, não reconheceram plenamente o valor da obediência e da presença de Deus. Somente após a queda, quando foram expulsos do jardim, compreenderam o custo de algo imensurável: a intimidade plena com Deus.

O povo de Israel, liberto do Egito, rapidamente passou a murmurar no deserto. Enquanto eram escravos, clamavam por liberdade; quando livres, sentiram falta das panelas do Egito. Sansão não valorizou sua força, Saul se perdeu em seu reinado, Jonas tropeçou em seu chamado, os filhos de Eli desonraram o exercício sacerdotal. Todos estavam cercados de bençãos, mas foram ingratos. No Novo Testamento, a parábola do filho pródigo é um exemplo marcante do quanto podemos ser ingratos quando nos familiarizamos com as bençãos cotidianas. Enquanto tinha acesso à herança, à casa do pai e à sua proteção, o filho mais novo não valorizou nada disso. Somente quando perdeu tudo — dinheiro, dignidade e segurança — foi capaz de reconhecer o valor daquilo que havia desprezado. A fome, a solidão e o fracasso abriram seus olhos. A perda o conduziu ao arrependimento, e o arrependimento o levou de volta ao pai, que o acolheu e perdoou. Estamos familiarizados com bençãos. Acordar todos os dias, poder se banhar ou se vestir sozinho, ter saúde e perfeição física, manter a audição e visão perfeitas, e ter a capacidade de falar ou raciocinar não são dádivas normais: são bençãos de Deus.

Voltar pra casa em segurança, ter filhos com raciocínio e desenvolvimento perfeitos, e ter um espaço para chamar de lar não é algo comum: é benção de Deus! 

Infelizmente, até mesmo a Graça muitas vezes só é reconhecida quando sentimos a ausência dela. E muitos só reconhecem o valor da presença de Deus quando se afastam dele, experimentam o vazio que essa distância produz, e muitas vezes, ainda assim, estão tão enredados nas consequências de seus erros, que não voltam à Casa do Pai. 

Deus deseja que aprendamos pelo amor, pela obediência e pela gratidão, e não apenas pela dor. Portanto, que busquemos manter um coração sensível, capaz de valorizar o presente, honrar os relacionamentos, cuidar da fé e reconhecer a presença de Deus.

Valorizar enquanto temos é um ato de maturidade e adoração a Deus. Não sejamos ingratos: sempre estamos cercados de motivos cotidianos que deveriam nos fazer transbordar de gratidão!

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Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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