O abraço é um gesto simples com um profundo valor terapêutico, essencial para a saúde mental, bem-estar e conexão humana, funcionando como um “porto seguro” para o coração e a mente. Ademais, o abraço sincero é uma ferramenta curativa, redutora de estresse, pois o “bom abraço” diminui o cortisol (hormônio do estresse) e aumenta a ocitocina (hormônio do amor), e ainda libera dopamina (hormônio do prazer) e serotonina (hormônio do bem-estar). Muitas vezes, a liberação desses hormônios combate a depressão, o medo e a solidão.
Apesar desses benefícios, precisamos atentar que há abraços e abraços. Por exemplo, com um abraço, você pode se reconciliar com alguém (ex. Jacó e Esaú - Gn 33.4; José e seus irmãos - Gn 45.14-15); mas também com um abraço, alguém pode matar (2 Sm 20. 9-10). Devemos ter cuidado ao abraçar alguém ou sermos abraçados, pois o coração humano é enganoso e só Deus o conhece (Jr 17.9-10).
É bem verdade que, dependendo do contexto cultural, o abraço tem diferentes significados. Por exemplo: um abraço carinhoso sem sensualidade é o abraço entre familiares e amigos. Quando encontramos uma amiga de infância, a primeira coisa que fazemos é dar um abraço carinhoso e alegre. Essa semana, estava aguardando a vez em um consultório médico, e presenciei o encontro de dois amigos. Pense em um abraço caloroso! Um encheu os olhos d’água e dizia para o outro: “Pensei que não lhe encontraria mais!”. Sentaram-se para relembrar os tempos passados e deixaram as outras pessoas passarem à sua frente só para estarem mais tempos juntos. Que lindo, verdade?
Eu gosto de observar as famílias nos seus relacionamentos. Naquelas em que houve uma vinculação afetiva bem processada, geralmente seus membros gostam de abraçar e de serem abraçados. Isto quer dizer que a abundância desse gesto numa família demonstra o fortalecimento dos laços afetivos.
Como já falamos, existem vários tipos de abraços, como o abraço de despedida – que é um abraço do coração. Quando Paulo se despediu de seus companheiros de Éfeso, em um momento de grande choro, eles se abraçaram ao seu pescoço e choraram. Foi um abraço sincero e uma despedida, pois sabiam que não veriam mais o rosto de seu líder espiritual (At 20.34-38).
Outro tipo de abraço é o abraço acolhedor. Jacó, ao deixar a casa de seu pai, encontrou-se com seu tio Labão, em Padã-Arã, e este o abraçou. Diz o texto: “E sucedeu que, ouvindo Labão as novas de Jacó, filho de sua irmã; correu-lhe ao encontro e o abraçou e o beijou, e o levou à sua casa…” (Gn 29.13-14). Imagine que alegria Jacó sentiu ao receber aquele abraço de acolhimento, de boas-vindas. Ele estava fugindo para não ser morto pelo próprio irmão Esaú; ele sentiu a dor da separação ao ter de deixar seus velhos pais, mas foi recebido com um abraço e um beijo dados pelo tio materno.
O filho pródigo é outro exemplo de um abraço acolhedor. Assim diz o relato bíblico: “E estando ele ainda longe, viu-o seu pai, e, movido de compaixão, correu ao seu encontro, e lhe lançou os braços ao pescoço e o beijou” (Lc 15.20). Esse abraço, além de acolhedor, foi um abraço de perdão.
Há um texto bíblico tão triste que, cada vez que o leio, peço a graça de Deus para ser uma discípula autêntica, amar e perdoar meus irmãos sem hipocrisia. Nesse texto, no Antigo Testamento, encontramos um exemplo do abraço cheio de malícia e falsidade; preste atenção: “E disse Joabe a Amasa: ‘Vai bem, meu irmão?’ E Joabe, com a mão direita, pegou da barba de Amasa, para o beijar. E Amasa não se resguardou da espada que estava na mão de Joabe, de sorte que este o feriu com ela na quinta costela, e lhe derramou por terra as entranhas, e não o feriu segunda vez, e morreu; então Joabe e Abisai, seu irmão, foram atrás de Seba, filho de Bicri” (2 Sm 20.9-10).
Nesses versículos observamos que Joabe finge abraçar Amasa, mas, na verdade, o transpassou com uma espada. É um exemplo de traição e engano, e nos mostra como a ambição e a sede pelo poder podem levar as pessoas a cometerem atos horripilantes. Lembram do exemplo de Judas? O discípulo que conduzia as ofertas no ministério de Jesus o traiu com um abraço e um beijo (Lc 22.48).
O abraço é uma das linguagens do amor que desenvolvemos através do nosso dia a dia, mas até no abraço, quando é sincero tem a chancela do Espírito Santo. Isabel e Maria se abraçaram e o abraço foi tão profundo que a criança que estava no ventre de Isabel foi cheia do Espírito. Aleluia! Já presenciei abraços cujo resultado foi cura, outro foi batismo com Espírito Santo. Que Maravilha! Que Deus nos ajude a valorizarmos o abraço e que esse seja sem hipocrisia, seja do coração.
E não podemos concluir sem mencionar o melhor de todos os abraços, que você pode receber quando sua alma estiver amargurada: é o abraço de Deus, cujo resultado é a paz!
“Eis que, para minha paz, eu estive em grande amargura; tu, porém, tão amorosamente abraçaste a minha alma, que não caiu na cova da corrupção, porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus pecados.” (Is 38.17).
Não sei, amiga, em que situação você se encontra, mas receba neste momento o abraço amoroso do Espírito Santo, nosso Consolador.
Que Deus ajude a mim e a você, a não julgarmos ninguém, e sim a nós mesmos, pondo nossas atitudes, gestos, ações e intenções ao escrutínio das Escrituras, assim, tudo o que fizermos por ações ou por obra, faremos de maneira honesta e sincera para glória de Deus.
Meu abraço fraternal a todas vocês.

Judite Alves
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