Judite Maria da Silva Alves

Professora e terapeuta familiar; casada com o Pr.Ailton José Alves (presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco); mãe de três filhos (casados), e avó de quatro netos. Apresenta diariamente, há mais de dez anos, o programa “A mulher e seus desafios” pela Rede Brasil de Comunicação. Lidera o trabalho de Círculo de Oração em todo o estado de Pernambuco e coordena as atividades sociais da IEADPE, que mantém oito Centros de Desenvolvimento Integral Vida em várias comunidades carentes na Região Metropolitana do Recife, onde são atendidas mais de 4 mil crianças.

Síndrome do bezerro de ouro

Nestes dias, estive pensando sobre o evento que ocorreu por ocasião da subida de Moisés para se encontrar com o Senhor Deus, Todo Poderoso, e receber as tábuas da lei com os dez mandamentos escritos pela própria mão de Deus. Um privilégio indizível para Moisés, um momento de gozo estar diante do seu Senhor. 

Em outras oportunidades, Moisés teve experiências no Monte Sinai com o Senhor, mas, como esta, eu acredito que nenhuma outra foi tão deslumbrante. Podemos observar algumas ordens diferentes dada por Deus a Moisés. Quando lemos Êxodo 24, a partir do verso 1, podemos observar algumas cenas: Primeiro, Deus manda Moisés, Arão, Nadabe, Abiú e setenta anciãos de Israel adorar de longe. Segundo, Deus diz que só Moisés se aproximaria dEle e ninguém mais. Moisés transmitiu ao povo todas as Palavras do Senhor e todos os Estatutos. Todo o povo respondeu a uma só voz: “Tudo o que o Senhor falou, nós faremos.” Mas será que fizeram? Aguarde aí que depois voltaremos a esta questão.

No verso 9, a palavra relata o seguinte: Moisés, Arão, Nadabe e Abiú e setenta anciãos de Israel subiram o monte. Eles não respeitaram os limites que Deus havia posto e viram o Senhor de Israel, sob cujos pés havia como que uma pavimentação de pedra de safira, que se parecia com o céu em sua claridade. Deus não estendeu a mão contra os escolhidos de Israel. No final do versículo 11, lemos: “eles viram Deus, comeram e beberam,” ou seja, permaneceram vivos. Que experiência maravilhosa para homens mortais! No verso 12, O Senhor diz a Moisés: “suba para junto de mim, e fique lá; darei a você tábua de pedra, as leis e os mandamentos que escrevi, para que você ensine ao povo.” Moisés se aprontou, juntamente com Josué, seu auxiliar, e subiu o monte de Deus. 

Ele mandou Arão e Ur cuidar do povo dizendo: “esperem aqui até que voltemos.” Moisés subiu e uma nuvem de glória o cobriu. Ele passou seis dias debaixo dela. No sétimo dia, o Senhor o chamou e ele passou quarenta dias e quarenta noites em Sua presença. O povo prometera a Moisés que faria tudo o que o Senhor falara. Observe o que diz Êxodo 32.1: “O povo viu que Moisés demorava para descer do monte.” Eles então reuniram-se em volta de Arão e lhe disseram: “Levante-se! Faça para nós deuses que vão adiante de nós; pois quanto a esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu.” Que relato triste! Arão, que vira a glória de Deus e tivera sua vida poupada juntamente com os demais que estavam com ele, não considerou a seriedade dos acontecimentos. Arão sabia onde estava Moisés e o que ele estava fazendo, mas qual foi sua atitude? Ele não foi capaz de defender seu líder, pelo fato de que seria mais fácil fazer o que o povo queria. Esquecendo a bela experiência que teve da glória de Deus, e onde permanecia Moisés, Arão assentiu fazer o que o povo queria. Que fatalidade! O povo se corrompeu por falta de uma voz! 

O texto segue. Arão respondeu: “tirem argolas de ouro das orelhas de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e tragam para mim.” Este, recebendo-as das mãos deles, trabalhou o ouro com o buril e fez um bezerro de metal fundido. Então disseram: “são estes, ó Israel, os seus deuses, que tiraram vocês da terra do Egito.” Arão, vendo isso, edificou um altar diante do bezerro e fez a seguinte proclamação: “Amanhã haverá festa ao Senhor.” Foi uma verdadeira mistura de sensualidade e libertinagem, com o nome de adoração ao Senhor. 

Ao ler esta história, eu penso: Será que não estamos vivendo estes dias? É comum hoje vermos vídeos de cultos onde os irmãos fazem um verdadeiro carnaval na igreja: uns rodopiam, outros dançam, outros aproveitam para licenciosidade e tudo isso dentro da igreja de Cristo! Nos comentários de um desses vídeos, um moço comentou que até gostava de frequentar a igreja enquanto parecia com igreja, mas que não mais fazia porque já não via diferença entre show, carnaval e aquilo que eles faziam. O apóstolo Paulo, em Coríntios 14.33, disse que Deus não é Deus de confusão, e, no verso 40, continua aconselhando que tudo deve ser feito com decência e ordem. 

Amadas, isso é preocupante! O profeta disse: “e vereis outra vez a diferença entre o que serve a Deus e o que não serve” (Ml 3.16). Jesus advertiu que por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriaria, mas aquele que permanecesse até o fim seria salvo (Mt 24.6). Perceba que entrar no Reino de Deus não é algo que não exija de nós esforço. 

Muitas vezes prometemos agradar a Deus, para logo depois criarmos “nossos bezerros”. Encho-me de temor ao ler 1 Co 10.7-8: “Não sejam idólatras, como alguns deles foram, conforme está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para se divertir. E não pratiquemos imoralidade, como alguns o fizeram e caíram mortos, num só dia, vinte e três mil.” O verso 11 diz: “Estas coisas aconteceram com eles para servir de exemplo e foram escritas como advertência a nós [crentes atuais] para quem o fim dos tempos tem chegado.” 

Medite em todo o capítulo supra citado. Eu queria gritar o que o Espírito Santo tem posto em meu coração! Vivemos em constante guerra contra o inimigo que quer destruir famílias, casamentos, sonhos e projetos. Ao nos firmarmos nEle, a guerra logo é declarada. Por isso devemos fazer uma autoavaliação de como estamos nos conduzindo como peregrinos e forasteiros neste mundo no que diz respeito à nossa adoração, ao momento devocional particular ou coletivo. Como está nosso compromisso com Deus? Fica só na promessa? “Faremos tudo quanto o Senhor mandar!” - que seja este o nosso compromisso.

Com meu coração compungido e cheio de temor, oro a Deus para que nos dê discernimento para fazermos tudo para sua glória e que não se encontre em nós, minha querida irmã, a Síndrome do bezerro de ouro. “Portanto, meus amados, fujam da idolatria!” ( 1Co 10.14).

Um abraço no seu coração.

 Judite Alves

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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