Nos últimos dias, ao ouvir algumas pessoas durante o setting terapêutico, percebi que, embora cada uma apresentasse demandas diferentes, além dos transtornos emocionais do momento, um sentimento comum de impotência e frustração se fazia presente. Por isso, decidi conversar com você sobre a frustração e a fé — quando o tempo de espera se transforma em um encontro. Vamos refletir juntas sobre o que Deus deseja nos comunicar.
A frustração é uma experiência silenciosa, porém profundamente presente na vida de muitas mulheres cristãs. Ela não se manifesta apenas nas grandes crises, mas também nas pequenas expectativas não correspondidas do cotidiano: planos que não se concretizam, relacionamentos que não avançam, orações que parecem não ser respondidas e esforços que não são reconhecidos. Nesse cenário, a frustração ultrapassa o campo emocional e alcança dimensões mais profundas, tocando a identidade, a fé e o senso de propósito.
A mulher cristã, por sua sensibilidade e disposição para cuidar, investir e acreditar, tende a viver intensamente aquilo que espera. Ela se entrega, constrói, ora, planeja e persevera. No entanto, quando aquilo que foi semeado não produz o fruto esperado, surge uma dor particular: não apenas a ausência do resultado desejado, mas a sensação de que algo dentro dela também foi atingido. As Sagradas Escrituras reconhecem com precisão essa realidade ao declararem: "A esperança adiada faz adoecer o coração, mas o desejo realizado é árvore de vida" (Provérbios 13.12). Essas palavras confirmam que a frustração não é sinal de fraqueza espiritual, mas a consequência natural de um coração que amou, esperou e confiou.
Muitas vezes, a intensidade dessa dor não está apenas no que aconteceu, mas naquilo que se esperava que acontecesse. A mente humana constrói cenários, idealiza respostas e projeta resultados. Quando a realidade não corresponde a essas projeções, o impacto se torna inevitável. Nesse processo, surgem questionamentos internos que, embora naturais, podem conduzir a interpretações equivocadas — como a ideia de rejeição, abandono ou desvalor. A frustração, então, deixa de ser apenas uma experiência circunstancial e passa a afetar a percepção que a mulher tem de si mesma e de Deus. O salmista também conheceu esse peso quando clamou: "Até quando, Senhor? Tu te esquecerás de mim para sempre?" (Salmos 13.1). Esse grito revela não incredulidade, mas a honestidade de uma alma que ama a Deus e ainda assim sente a dor do silêncio.
A fé em Deus, contudo, não ignora a frustração — ela a ressignifica. A narrativa bíblica revela que mulheres de Deus também enfrentaram longos períodos de espera e expectativas aparentemente frustradas. Ana, cujo coração estava tão amargurado que chorava e não comia (1 Samuel 1.7), derramou sua alma diante do Senhor em angústia profunda. Ela não escondeu sua dor; ela a levou ao altar. Sara, que aguardou por décadas a promessa de um filho, ria de incredulidade diante da palavra divina — e, mesmo assim, Deus a cumpriu (Gênesis 18.12-14; 21.1-2). Marta, ao receber Jesus após a morte de Lázaro, disse com a mistura de dor e fé que nos é tão familiar: "Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido" (João 11.21). Essas histórias revelam que o silêncio ou o aparente atraso de Deus não significam ausência, mas atuação em um nível mais profundo do que os olhos conseguem enxergar.
É precisamente nesse ponto que Isaías 55.8-9 encontra o coração da mulher que espera: "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos." Os caminhos divinos não se submetem à lógica imediata humana, e aquilo que parece demora ou resposta negativa muitas vezes é, na verdade, preparação, alinhamento e formação interior.
Nesse sentido, a frustração possui uma dimensão reveladora. Ela expõe onde estão as expectativas mais profundas, evidencia o grau de dependência em relação a resultados externos e revela onde a identidade tem sido firmada. Quando algo não acontece como esperado, surgem perguntas essenciais sobre sentido, valor e propósito. Ainda que desconfortáveis, essas perguntas funcionam como instrumentos de crescimento espiritual, conduzindo a uma fé mais madura e menos dependentes das circunstâncias. Paulo testemunha esse processo ao escrever: "Não digo isso como se estivesse necessitado, porque aprendi a estar contente em qualquer situação em que me encontre" (Filipenses 4.11). O contentamento, para Paulo, não era uma disposição natural — era algo aprendido no processo da espera e da provação.
Continua na próxima semana...
Meu abraço fraternal a todas vocês!

Judite Alves
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