Judite Maria da Silva Alves

Professora e terapeuta familiar; casada com o Pr.Ailton José Alves (presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco); mãe de três filhos (casados), e avó de quatro netos. Apresenta diariamente, há mais de dez anos, o programa “A mulher e seus desafios” pela Rede Brasil de Comunicação. Lidera o trabalho de Círculo de Oração em todo o estado de Pernambuco e coordena as atividades sociais da IEADPE, que mantém oito Centros de Desenvolvimento Integral Vida em várias comunidades carentes na Região Metropolitana do Recife, onde são atendidas mais de 4 mil crianças.

A Frustração e a Fé: quando a espera se torna encontro – parte 2

Diante da frustração, estabelece-se um ponto decisivo na jornada da mulher cristã. A dor pode gerar amargura, comparação, desistência ou endurecimento do coração — ou pode produzir maturidade, dependência de Deus, profundidade emocional e sensibilidade à vontade divina.

Tiago desafia a Igreja com palavras que soam paradoxais: "Meus irmãos, tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé produz perseverança" (Tiago 1.2-3). A diferença não está na intensidade da experiência, mas na forma como ela é interpretada e processada diante de Deus.

A própria vida de Jesus Cristo oferece o exemplo mais profundo dessa realidade. Ele, que era a própria Palavra encarnada, experimentou rejeição em sua cidade natal (Lucas 4.24), foi incompreendido por sua família (João 7.5) e, no momento mais sombrio, clamou da cruz: "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?" (Mateus 27.46). No entanto, mesmo no auge da dor, Ele não perdeu a comunhão com o Pai. Sua resposta à angústia não foi endurecimento, mas entrega: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lucas 23.46). Isso demonstra que é possível enfrentar a frustração mais profunda sem perder a fé — e sofrer sem se afastar de Deus.

Um dos aspectos mais desafiadores da frustração é o silêncio aparente de Deus. Quando os céus parecem fechados e as respostas tardam, o coração humano tende a interpretar o silêncio como indiferença. No entanto, o silêncio de Deus não representa ausência — representa processo. O profeta Habacuque enfrentou esse mesmo impasse e recebeu esta resposta: "A visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado; está se apressando para o fim e não faltará. Ainda que tarde, espera-a, porque certamente virá e não tardará" (Habacuque 2.3). Muitas vezes, enquanto se aguarda uma mudança externa, Deus está operando internamente — fortalecendo a fé, ajustando expectativas, preparando o coração e moldando o caráter. A confiança, nesse contexto, deixa de ser baseada em resultados imediatos e passa a se fundamentar no caráter imutável de Deus.

O Salmo 33.20,21 sintetiza com beleza essa postura: "A nossa alma espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo. Pois nele se alegra o nosso, porquanto temos confiado no seu santo nome”. Não é uma espera passiva ou resignada, mas ativa, alegre e confiante — uma espera que fita o rosto de Deus mesmo quando a resposta ainda não chegou. É nesse espaço entre a oração e a resposta que a fé é genuinamente formada.

Assim, a frustração não deve ser compreendida como o fim da jornada, mas como parte integrante dela. Ela não anula promessas, não define valor e não determina destino. Pelo contrário, quando colocada nas mãos de Deus, torna-se um instrumento poderoso de transformação. Romanos 8.28 assegura: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." Para a mulher cristã, a frustração pode deixar de ser um lugar de dor sem sentido e tornar-se um espaço de encontro com Deus — onde expectativas são purificadas, a fé é fortalecida e o propósito é reafirmado.

Ao final, permanece uma verdade essencial e inabalável: nem tudo o que se espera se concretiza da forma como imaginamos, mas tudo o que Deus permite que nos aconteça possui um propósito maior. Muitas vezes, aquilo que parece perda revela-se direção, e o que parecia silêncio torna-se a base de uma fé mais profunda e madura. Como declarou o profeta Jeremias, mesmo no meio do exílio e da dor: "Porque eu sei os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro" (Jeremias 29.11). Essa gloriosa promessa não cancela a dor do processo — ela transforma o seu significado.

Portanto, querida amiga, não se frustre ao esperar em Deus, nem tampouco se desespere por buscar uma solução imediata, pois o tempo Kronos (tempo do homem) é diferente do tempo Kairós (tempo de Deus). Ele, como nosso Bom Pastor, guia-nos em todo o momento, sabe o que fazer em cada situação e como tratar cada pessoa. Assim, levante a cabeça e não permita que sua fé esmoreça. Diante das frustrações e da longa espera em sua caminhada, decida crer como o salmista e experimente o fortalecimento de sua vida: “Pereceria, sem dúvida, se não cresse que veria os bens do Senhor na terra dos viventes. Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor” (Salmo 27.13,14).

Deus te abençoe!

Meu abraço fraternal a todas vocês!

 Judite Alves

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

 

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